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Ancelotti quase salvou a CBF

A frustrante eliminação do Brasil na Copa de 2026 é fruto de uma soma impressionante de erros, não só de agora, das últimas décadas. Somados aos acertos de outros países no futebol, não tinha outro resultado a ocorrer senão, mais uma vez, o adiamento do hexa. Odeio ser “profeta do acontecido”, mas aqui nesta coluna eu tinha alertado que o ciclo mal conduzido me deixava pessimista para o título. 

O que me assusta um pouco no luto da queda é que muitos analistas, alguns técnicos e ex-técnicos oportunistas, estão jogando a responsabilidade para Carlo Ancelotti. O italiano realmente não foi bem na estratégia diante da Noruega, deu azar de jogadores terem sentido a pressão e também terem errado na partida, de forma alguma no entanto a conta da derrota pode passar por ele. Não fosse o técnico, a Seleção não teria ido tão longe. Se a classificação viesse, ele teria salvado a CBF, porque o resultado seria igual aos dois últimos mundiais.  

Em função de demorar para escolher um treinador para a Copa e ter dado apenas um ano para Ancelotti trabalhar, os dirigentes fizeram com que o Brasil chegasse nos Estados Unidos sem uma escalação titular. A convocação foi concebida com homens de confiança da comissão técnica, já conhecidos de clubes na Europa. Não houve chances para ser a melhor lista de convocados, nomes como Fabinho, Danilo, Alexsandro e até Neymar não foram escolhidos pelo momento atual, sim pelo passado seguro. A tarefa era árdua, Ancelotti tentou simplificar. E conseguiu. 

A herança recebida pelo italiano igualmente é péssima. O nosso futebol tem diminuído muito nas últimas décadas, com clubes deficitários e mal administrados, gerando cada vez menos atletas, vendendo os poucos que são revelados rapidamente, sem criar uma identidade com a torcida brasileira. Parreira, Felipão, Mano Menezes, Dunga e Tite passaram pelo cargo, ninguém alcançou o hexa porque a bagunça fora dos gramados é gigante sempre, não só na CBF, em toda a estrutura. 

O nosso maior craque das últimas gerações, agora muito criticado, é a prova da falta de planejamento e organização do futebol do país. Em primeiro lugar Neymar não teve, assim como todos os seus antecessores, uma preparação adequada para assumir o protagonismo com a amarelinha.  

Se Romário teve Zico e Careca, Ronaldo e Rivaldo tiveram Romário, Ronaldinho teve Ronaldo, ninguém ficou para “passar o bastão” a Neymar, que precisou enfrentar de cara em Copas a pressão de ser o melhor num Mundial dentro de casa, o de 2014. Pode estar certo de que essa é uma das origens para a imaturidade dele. Mais um erro que resulta no jejum que em 2030 será de 28 anos sem levantar a taça. 

Daqui para a frente, eu acredito no Ancelotti. O novo ciclo terá um técnico mais acostumado com um trabalho de seleção, bem diferente de um clube. O treinador também poderá definir bem os 11 titulares, os convocados serão desvendados com antecedência. Numa estrutura falida o italiano traz uma esperança. Que assim seja.

Autor

Rafael Cechin

Jornalista graduado e pós-graduado em gestão estratégica de negócios. Atua há mais de 25 anos no mercado de comunicação, com passagem por duas décadas pelo Grupo RBS, onde ocupou diversas funções na reportagem, produção e apresentação, se tornando gestor de processos e pessoas. Comandou o esporte de GZH, Rádio Gaúcha, ZH e Diário Gaúcho até 2020, quando passou a se dedicar à própria empresa de consultoria. Ocupou também, do início de 2022 ao final de 2023, o cargo de Diretor Executivo de Comunicação no Sport Club Internacional. Atualmente mantém a própria empresa, na qual desde 2021 é sócio da Coletiva,rádio, e é Gerente de jornalismo e esporte da Rádio Guaíba.
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