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Antes que seja tarde

Nosso poeta Mario Quintana com sabedoria disse: “a vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa, quando se vê, já são seis horas, quando se vê, já é sexta-feira, quando se vê perdemos o amor da nossa vida, quando se vê passaram 50 anos”. No poema intitulado “O Tempo”, publicado em 1980 no livro “Esconderijos do Tempo”, ele fala sobre a rapidez com que a vida passa e, por isso mesmo, a importância de se aproveitar cada momento antes que seja tarde. Pois eu, que já passei dos 65 anos (ninguém diz), ando vivendo com caráter de urgência.

Não faço mais planejamentos a longo prazo. Para falar a verdade, meu lado geminiano, muito geminiano, instável e inquieto, muitas vezes me impediu de cumprir tais planejamentos. Quando eles existiram. Mas agora parece que preciso apenas pensar o dia de hoje, o agora, o presente. E tenho pressa. O futuro é uma incógnita. Não tenho muito tempo para o imponderável, o amanhã, o talvez.

Também evito guardar nas gavetas e compartimentos da minha vida as mágoas de relacionamentos rompidos, as dores de amizades desfeitas, os rancores de desavenças familiares. Procuro enaltecer as emoções positivas, os momentos de alegrias, os cenários de confraternizações e os encontros proveitosos. A felicidade necessita ser minha companhia hoje, agora, no presente. E sempre.

Da mesma maneira, aceito sem estranhar as imperfeições das pessoas que me rodeiam. Como disse o mestre Caetano Veloso, “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Deixo que as pessoas sejam exatamente como elas são e entendo suas limitações. Aprendi, com o tempo, que as pessoas jamais nos decepcionam. Nós é que colocamos muitas expectativas sobre elas. Simples assim.

E sigo aproveitando o meu tempo com leituras, passeios, caminhadas, audição de músicas (como eu amo), pequenos e necessários cuidados com a beleza (nada muito profundo), hábitos mais saudáveis para uma vida equilibrada. E quero viver com intensidade os segundos, os instantes, os momentos, o hoje, o agora, o presente. Com urgência.

Como Quintana encerra o seu poema: “não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo, não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz. a única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará”.

Autor

Márcia Martins

Márcia Fernanda Peçanha Martins é jornalista, formada pela Escola de Comunicação, Artes e Design (Famecos) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), militante de movimentos sociais e feminista. Trabalhou no Jornal do Comércio, onde iniciou sua carreira profissional, e teve passagens por Zero Hora, Correio do Povo, na reportagem das editorias de Economia e Geral, e em assessorias de Comunicação Social empresariais e governamentais. Escritora, com poesias publicadas em diversas antologias, ex-diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors) e presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Porto Alegre (COMDIM/POA) na gestão 2019/2021. E-mail para contato: [email protected]
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