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Ao completar 30 anos, o IPO reflete sobre a evolução da pesquisa e o desafio de transformar informação em inteligência estratégica

Trinta anos atrás, quando o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião, iniciou sua trajetória em Pelotas, no sul do Rio Grande do Sul, a pesquisa ainda era vista, por muitos setores, como uma ferramenta limitada à mensuração de opiniões. Ao longo dessas três décadas, o IPO se tornou um instituto de pesquisa nacional e tem ajudado a ampliar esse entendimento, mostrando que pesquisar também significa interpretar comportamentos, compreender contextos e antecipar tendências sociais, políticas e de mercado.

O IPO nasceu da aproximação entre o rigor acadêmico e as necessidades concretas das organizações. Desde o início, buscou romper padrões tradicionais do setor ao integrar áreas como Sociologia, Ciência Política, Antropologia, Estatística e Comunicação na leitura estratégica da sociedade. Em diferentes momentos da sua trajetória, foi disruptivo ao incorporar metodologias híbridas, ampliar o uso de tecnologias digitais na coleta de dados e desenvolver modelos de análise capazes de traduzir informações complexas em inteligência aplicada à tomada de decisão.

Essa evolução acompanhou as mudanças do próprio Brasil. Transformaram-se os hábitos de consumo, as relações de trabalho, as formas de comunicação e a percepção da população sobre instituições, marcas e governos. O desafio deixou de ser apenas produzir dados. Passou a ser identificar quais informações realmente importam e como interpretá-las em um cenário marcado pelo excesso de conteúdo e pela velocidade das transformações sociais.

A própria evolução da pesquisa revela as mudanças do nosso tempo. Se nos anos 1990 o desafio era acessar informações, hoje o desafio é encontrar sentido em meio ao excesso de dados. Em tempos de inteligência artificial, a tecnologia organiza informações em velocidade inédita, mas continua sendo humana a capacidade de formular perguntas relevantes e compreender o contexto social por trás dos números.

Ao longo dessa caminhada, o IPO consolidou reconhecimento pela sua capacidade técnica e interpretativa, sendo frequentemente contratado em projetos de alta complexidade que exigem experiência acumulada, rigor metodológico e leitura aprofundada da realidade social. Entre os exemplos recentes estão pesquisas nacionais e estudos de vitimização desenvolvidos em diferentes regiões do país, metodologia que mede a criminalidade efetivamente vivida pela população, incluindo situações não registradas oficialmente. Esse tipo de levantamento contribui para diagnósticos mais precisos e para a formulação de políticas públicas de prevenção e segurança.

Ao completar 30 anos, o IPO também atualiza seu posicionamento. O slogan “Ciência para a tomada de decisão” dá lugar a “As perguntas certas transformam o futuro”. A mudança sintetiza uma percepção amadurecida ao longo da trajetória: em tempos de inteligência artificial e abundância de dados, o diferencial competitivo não está apenas na tecnologia ou no acesso à informação, mas na capacidade humana de formular perguntas relevantes, interpretar significados e compreender a complexidade do comportamento social.

Mais do que acompanhar mudanças, o IPO construiu sua história buscando entender os movimentos da sociedade antes que eles se tornassem evidentes para o mercado.

Autor

Elis Radmann

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996 e tem a ciência como vocação e formação. Socióloga (MTB 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e tem especialização em Ciência Política pela mesma instituição. Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Elis é conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) e Conselheira de Desburocratização e Empreendedorismo no Governo do Rio Grande do Sul. Coordenou a execução da pesquisa EPICOVID-19 no Estado. Tem coluna publicada semanalmente em vários portais de notícias e jornais do RS. E-mail para contato: [email protected]
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