Durante algumas semanas fiz algumas observações sobre arte, ciência e design. Alguns concordaram, outros não. Recebi umas respostinhas bem legais e aproveito para deixar o povo saber o que ele mesmo pensa. Aqui, a opinião parcial (pois era bem longa), do pensamento de Jorge Ramos, arquiteto, designer e professor. Dentre seus trabalhos mais conhecidos está a marca No Stress.
Querida Clô, acho que nos distanciamos cada vez mais da arte e nos aproximamos da ciência, de todas as ciências, as humanas, as exatas, as filosofias, etc…
Um bom design hoje exige um conhecimento muito mais aprofundado e delicado do que o exige a arte, manifestação individual (embora muitas vezes contestatória, provocativa, revolucionária, e ainda que seja uma manifestação de um grupo de artistas ou de um período específico – arte moderna, arte barroca, renascentista, etc – ainda é uma visão particular do artista. É feita a partir de experiências pessoais e únicas, mesmo quando, em alguns casos, manifestem uma visão compartilhada por um pequeno grupo de pessoas ou classes sociais).
Lidar hoje com a nossa percepção, quando estamos buscando um objetivo planejado, desejado e com um determinado tipo de resposta, certamente é assunto que está cada vez mais para a ciência e menos para a arte. Embora as questões estéticas continuem sendo tão importantes quanto, design não é feito somente destas questões estéticas individuais, de interpretação pessoal, aleatória, de momentos, de temperamentos individuais e experiências individuais. Pelo contrário, deve buscar o coletivo.
Há também a questão que algumas vezes trata design como “arte aplicada” e é bem mais delicada. Sob determinado ponto de vista isto não é design, mas, uma maquiagem que usa imagens conhecidas e se “ancora” nestas imagens em busca de reconhecimento. Mas não é design, no sentido mais puro e nobre da atividade.
Nos distanciamos da arte para nos aproximarmos da ciência. Esta é a minha opinião. Mas, o resultado final, em alguns casos, nos surpreende tanto que deixamos que nossos sentidos tenham a mesma experiência que teríamos diante de uma bela escultura ou uma bela pintura. Ou as duas coisas + a música que encanta e inebria nossos sentidos auditivos, acelera o coração, …
Que viagem!

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial