Colunas

Arte ou design?

      O trabalho de um designer pode ser considerado arte? E se assim o for, pode continuar design? Ou ainda: um trabalho pode ser destituído …

      O trabalho de um designer pode ser considerado arte? E se assim o for, pode continuar design? Ou ainda: um trabalho pode ser destituído de qualidade pela opção profissional do artista pela arte aplicada em nome da sobrevivência? Pelo que sei, a arte e a vida são maiores do que as categorias.

      Pensei que já fosse extemporâneo falar em preocupações coorporativas nos caminhos da expressão, mas percebo que estou errada. O assunto rola a partir de duas palestras que assisti. A primeira, de uma artista plástica inquieta e atormentada por questionamentos universais; outra, de um designer premiado com um trabalho ambiental, que pouco tem a ver com os tradicionais suportes e conceitos de design gráfico. Trata-se de Karin Lambrecht e Flavio Wild, dois artistas que admiro.

      Em arte, as chamadas referências originam-se de provocações pessoais quase permanentes. Em design, em geral, as referências têm origem externa e são incorporadas pelo criador. Porém, tal possível diferença entre arte e design já está por terra. Tanto o design quanto a arte podem ser realizados por encomenda ou por provocação externa.

      Ao propor “Porões da Mente”, na 3ª Bienal do Mercosul, Flavio Wild foi o único dentre os 18 artistas convidados, a construir seu espaço a partir das referências do próprio Hospital Psiquiátrico São Pedro. Os demais trouxeram trabalhos seus, anteriores. Por dias, Flavio pesquisou a história da instituição, hábitos dos moradores, construindo com seu olhar novas referências, absorvendo o entorno (como faria um arquiteto).

      O trabalho e o método de Flavio assemelham-se à proposta da curadoria do projeto Arte Cidade, com origem em São Paulo, onde 25 artistas internacionais foram provocados a se integrar ao ambiente urbano e dele extrair referências para seus trabalhos (citados outro dia nessa coluna). Não deixa de ser um trabalho por encomenda e nem por isso deixa de ser arte.

      Na verdade, artistas e designers se assemelham quando o trabalho é autêntico, original e tem uma razão de ser. E também quando rompem categorias.

      Parabéns a Karin e ao Flavio.

      Viva a interdisciplinaridade. Viva a inclusão. Há espaço para todos (pelo menos assim espero…).

([email protected])

Autor

Clo Barcellos

Compartilhar:

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.