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As beberagens das elites

É interessante a relação entre os personagens da cena politica brasileira e a preferência por bebidas de fina linhagem. Lula sempre era associado à brasileiríssima cachaça, mas hoje é lícito acreditar que evoluiu para produtos mais sofisticados. O que se sabe é que o filho Lulinha, pelo depoimento da “pilantra” (termo usado pelo presidente) Roberta Luchsinger, prefere o uísque Macallan, o mesmo com que o banqueiro fraudador Daniel Vorcaro brinda seus convidados em encontros mundo afora.

Vale lembrar que o ex-presidente Collor e seu entorno, entre um confisco e outro da poupança, adotaram o uísque Logan, notadamente o Logan de Luxe 12 anos, que não é mais produzido e foi substituído pelo Logan Heritage, a R$ 650,00 o litro. Vai ver a destilaria do Logan não quis mais associar seu produto original a um notório corrupto,

Já Ulisses Guimarães, o líder da Constituinte, não abria mão do Poire, um licor de pera, degustado em encontros político-gastronômicos com seus assessores e apoiadores, quando importantes decisões da Nova República eram tomadas.

Entretanto, o uísque é a bebida preferida das lideranças símbolos de poder, das históricas e destacadas como Winston Churchill e Margaret Thatcher, dois exemplos britânicos of course, a expoentes do mundo das artes e aí melhor exemplo é o poetinha Vinicius de Moraes, que apelidou o uísque de “cão engarrafado” ou seja, “o melhor amigo do homem”.

Voltando ao Macallan é inevitável lembrar do encontro no exclusivo George Club , de Londres, em 25 de abril de 2024, reunindo as mais altas autoridades brasileiras, entre as quais Alexandre de Moraes e o PGR Paulo Gonet, evento regado a generosas doses do afamado escocês, considerado o mais valorizado do mundo em leilões. Custo do regabofe pago pelo Banco Master: 600 mil dólares ou 3,6 milhões reais pelo câmbio recente. Ao final de tudo, Vorcaro ainda instituiu a Bolsa Uísque, presenteando todos os convidados com uma garrafa de edição especial do Macallan, ao custo de 1 mil reais a unidade (tem também o Bolsa Jatinho, mas isso é outra história).

Agora, resta saber se o destilado harmoniza bem com a pizza que estaria em preparação na suprema corte brasileira.

Autor

Flávio Dutra

Flávio Dutra, porto-alegrense desde 1950, é formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), com especialização em Jornalismo Empresarial e Comunicação Digital. Em mais de 40 anos de carreira, atuou nos principais jornais e veículos eletrônicos do Rio Grande do Sul e em campanhas políticas. Coordenou coberturas jornalísticas nacionais e internacionais, especialmente na área esportiva, da qual participou por mais de 25 anos. Presidiu a Fundação Cultural Piratini (TVE e FM Cultura), foi secretário de Comunicação do Governo do Estado e da Prefeitura de Porto Alegre, superintendente de Comunicação e Cultura da Assembleia Legislativa do RS e assessor no Senado. Autor dos livros ‘Crônicas da Mesa ao Lado’, ‘A Maldição de Eros e outras histórias’, ‘Quando eu Fiz 69’ e ‘Agora Já Posso Revelar’, integrou a coletânea ‘DezMiolados’ e ‘Todos Por Um’ e foi coautor com Indaiá Dillenburg de ‘Dueto – a dois é sempre melhor’, de ‘Confraria 1523 – uma história de parceria e bom humor’ e de ‘G.E.Tupi – sonhos de guri e outras histórias de Petrópolis’. E-mail para contato: [email protected]
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