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As grandes respostas

Perguntou o menininho: – Paiê, o que é síntese? Respondeu o pai: – Síntese é a maneira de nos referirmos a um mesmo assunto, …

Perguntou o menininho:

– Paiê, o que é síntese?

Respondeu o pai:

– Síntese é a maneira de nos referirmos a um mesmo assunto, tema, fato ou matéria, de modo diferente do já conhecido ou enunciado, sob qualquer aspecto de comparação, seja ele de conteúdo ou de forma, eliminando-se informações, dados, detalhes, características etc, cujo valor ou importância permitam a omissão total e abrangente na nova descrição, sem que isso impeça o reconhecimento completo da referência que motivou esses cortes necessários, daí obtendo-se uma frase ou pequeno bloco de texto que, por sua especificidade deverá garantir a mesma interpretação outrora alcançada quando o tema primitivo apresentava-se por inteiro para exame, análise ou, simplesmente, leitura ou audição, isto é, por reconhecível semelhança em sua essência, dará a qualquer pessoa de mediana inteligência a oportunidade de avaliar integralmente o cerne da questão, sem nenhum prejuízo para a compreensão cognitiva, o que levará determinado sujeito a concluir dali todas as possibilidades de divagação e raciocínio inerentes à idéia principal agora expressa em poucos vocábulos, numa exposição subtraída de elementos supérfluos e que só tornam complicado o estudo sobre aquela afirmação primeira (objeto da redução praticada), sendo que, é óbvio, o sentido literal permanecerá mesmo que os termos desta feita utilizados para reprisar o pensamento não contenham, em si próprios, os fonemas e palavras idênticos aos antes aproveitados, resultando disso tudo uma sentença com sabor e som inteiramente novos, embora isso não traga dificuldade de espécie alguma para percebermos que a oração ficou mais curta, ganhando um tamanho notavelmente menor que a anterior, além de uma exatidão que afasta equívocos para quem a assimila, pois é evidente que os resumos são os grandes responsáveis pela melhoria na comunicação, significando economia de tempo e de paciência entre todos os seres humanos que têm o que dizer para os demais. Sinteticamente, é isso.

Caixas 2.

Entre a inata ingenuidade e a paranóica suspeição, há mais pano por cima de coisas do que os inocentes úteis e os conscientes inúteis conseguem contabilizar. Ao redor, basta arregalar a percepção, se ocultam incontáveis sumidouros de recursos, prazeres, informações, bens, energias. O imensurável caixa 2 da vida. Que se redistribui por instâncias, constâncias, distâncias e circunstâncias indefiníveis. Afinal, nem só de trampolinagens político-financeiras vive a espécie na qual estamos catalogados. Entre outros e tantos, esses:

O caixa 2 do universo é o buraco negro.
O caixa 2 do Vaticano é o Banco do Vaticano.
O caixa 2 da estiagem é a taxa da caixa d´água.
O caixa 2 dos cônjuges são os amantes.
O caixa 2 do arco-íris é o pote de ouro no fim.
O caixa 2 do tapete é o alçapão.
O caixa 2 da linguagem é o silêncio.
O caixa 2 do desperdício é o aterro sanitário.
O caixa 2 do piromaníaco é a caixa de fósforos.
O caixa 2 do caixa 2 é o cunhado do gerente de confiança.
O caixa 2 do sono é o sonho.
O caixa 2 do agiota são outros quinhentos.
O caixa 2 do crime organizado é o colarinho branco.
O caixa 2 da bebedeira é a amnésia.
O caixa 2 da psicanálise são os 10 minutos restantes.
O caixa 2 dos desastres aéreos é a caixa-preta.
O caixa 2 do carnaval é o faturamento da Globo.
O caixa 2 do nosso PIB é o FMI.
O caixa 2 do infarto é o transplante.
O caixa 2 do poder político é o caixa 1 do tráfico.
O caixa 2 da larva é a borboleta.
O caixa 2 da eternidade é o caixão.
O caixa 2 desta lista é o etc.

Poeminha a pedido.

Meçam o Mercado Público
e as mínimas adjacências:
vamos ampliar a turbulência?

Refaçam contas e aspirem
por menor estacionamento:
paz ao carro, a nós tormento?

Calculem o reduto humano
e as parcas possibilidades:
como transitará a civilidade?

Avaliem o Largo Glênio Peres
com a régua do centro tenso:
parquímetro é bom-senso?

Um diminuto largo à mercê
da sanha de mentes estreitas.
Afinal, progresso é só receita?

Autor

Fraga

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