De vez em quando me pego pensando: o que seria de nós, pobres mortais, se não existissem os grupos de whatsapp. Já perdi as contas do número de vezes que este aplicativo de mensagens, ligações e vídeos me salvou em variadas situações. Seja para marcar algum café ou chope com os amigos e as amigas, para solicitar um serviço de eletricista ou encanador, encomendar remédios, ver as ofertas do dia dos supermercados ou postar fotos dos muitos pratos que cozinho (contém ironia porque sou péssima na culinária) para a família.
Nem sei quantos grupos de whats tenho registrados. De entregas de comidas, de movimentos feministas, de comunicação, das gurias (hoje nem tão gurias) da faculdade, das Mosqueteiras (amigas que torcem pelo Grêmio e ficam comentando entre si os lances dos jogos), de jornalistas, da aula de ginástica, dos tutores e tutoras de cachorros da Cidade Baixa e do Menino Deus, do partido político, da família (obviamente), das cunhadas, de fotos do Quincas Fernando e muitos outros. E agora, claro, dos meus candidatos e candidatas nas próximas eleições.
Engana-se quem pensa que tais grupos só servem para dar bom dia e boa noite. Para falar a verdade, sou totalmente contra e acho desnecessário este tipo de saudações neste aplicativo. Mas, fazer o quê? Tem gente que não se toca. Eu também não gosto que me mandem áudio no whats. Nem sempre estou só conectada nesta ferramenta e para ouvir o áudio preciso me desligar de outras tantas tarefas. Ou vocês acham que aposentada não tem o que fazer?
Existem uns grupos que foram criados com o objetivo de agregar amigos e amigas de algum trabalho, para marcar encontros, trocar ideias. E com o passar do tempo, transformaram-se em simples avisos fúnebres. Sem a participação ativa e proveitosa dos e das integrantes de algum grupo, realmente ele não irá prosperar. Não há mágica.
Mas determinados grupos chegam a emocionar os seus membros pelas trocas que ali ocorrem. É o caso dos Filhos e Filhas da Mãe Jurema, formado por jornalistas que trabalharam com a queridona Jurema Josefá. Inicialmente, foi criado para organizar uma festa surpresa de aniversário para a Jurema na comemoração dos seus 75 anos, em 2023 (e posso falar a data porque ela não costuma esconder a idade). Só que ganhou uma amplitude imensa e com interação ativa de quem lá está. É o local para se comentar sobre assuntos de comunicação, política, festas, aniversários e tudo mais o que se possa imaginar.
Dia destes, precisava passar uns telefones para a minha cunhada chamar a imprensa para uma pauta importante na cidade onde ela mora, em Butiá. Como estou afastada do mercado há um tempo, não tinha os contatos mais atuais. Resolvo pedir ajuda lá no grupo dos Filhos e Filhas da Mãe Jurema. Em poucos minutos, tive o retorno de telefones de rádios, televisões e jornais.
Nem todos os grupos são só de saudações desnecessárias, futilidades, informações de falecimentos. Há vida inteligente no aplicativo de whatsapp.


One Comment
Sempre muito pertinente a coluna da Márcia. Retrata sempre, com leveza e competência, o nosso cotidiano. Ah…as Mosqueteiras formam um grupo importantíssimo.
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