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As não-banalidades

Por José Antônio Moraes de Oliveira

“Não existem assuntos desinteressantes. 

O que há são pessoas pouco interessadas.”

 

Gilbert Keith Chesterton.

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Para o ensaista, teólogo e escritor inglês, não existem coisas banais em nossa existência. Usando outras palavras, afirma tudo o que acontece conosco tem sentido. E que quase tudo o que fazemos ou deixamos de fazer é misteriosamente gerado por decisões ou atos que ficaram esquecidos no passado. Estes vestígios, enterrados profundamente no subconsciente, permanecem silenciosos, mas nos acompanham ao longo da vida. E que, mais cedo ou mais tarde, ressurgem e vão ditar  nossos comportamentos.

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À primeira leitura, a afirmação de GKC parecer ser um mero jogo de palavras ou uma provocação ao leitor, mas está longe disso. Em “Ortodoxia”, ele afirma que uma sociedade que confunde seriedade com banalidade pode ter perdido todo o sentido do real e das proporções. 

E denuncia outro sintoma grave e comum que acontece quando uma brincadeira é levada à sério em demasia – e até mesmo enquadrada como afronta, racismo ou homofobia. Para os chestertianos, a não-distinção entre o non-sense e uma afirmação séria é resultado da perda da percepção do mundo real. É quando as pessoas não enxergam a diferença entre o banal e o sério, criando o risco das banalidades cotidianas se transformarem em tragédias dignas da presença policial ou de apelos às cortes superiores.

Se estivessem vivos nos dias de hoje, ilustres pensadores como Chesterton, Bernard Shaw ou Mark Twain possivelmente estariam correndo o risco de serem apontados como pessoas imorais ou criminosas.

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Uma das teses quase proféticas, Chesterton advertia que em tempos de crises econômicas ou políticas, sempre há de existir o risco da predominância de grupos radicais e manipuladores. Na época de Chesterton existia uma fantasia singular – quando as coisas vão mal, recorria-se a um líder messiânico, um salvador da pátria. Infelizmente, pode-se dizer que a falácia ainda sobrevive em certos lugares do planeta. Nestes casos, GKC dizia que não se deve chamar um consertador das coisas, mas alguém que saiba explicar por que as coisas não estão funcionando. E lembra, com seu habitual non-sense:

Quando Roma arde em chamas, não adianta tocar harpa ou violino, é melhor chamar os bombeiros”.

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Autor

José Antônio M. de Oliveira

O colunista é um veterano jornalista e publicitário. Assina uma coluna no Coletiva desde 2005. Foi repórter e redator nos jornais A Hora, Jornal do Comércio, Folha da Tarde e Correio do Povo. Como publicitário, atuou na MPM Propaganda nas sedes de Porto Alegre, do Rio de Janeiro, de São Paulo e também em Nova York, durante o convênio MPM / N.W.Ayer Advertising. Criou e redigiu comerciais e anúncios para Ipiranga, Renner, Banco do Brasil, Embratur, I Love New York, Pan American World Airways e American Airlines. Diretor de Comunicação do Grupo Iochpe, foi co-fundador do CENP, a entidade de normas éticas para anunciantes e agências de publicidade. Em 2021 publicou o livro de memórias ‘Entre Dois Verões’ – já esgotado – contendo 30 crônicas sobre sua infância nos campos do Sul e na Porto Alegre dos anos 50. Agora, volta à cidade em seu segundo livro, ‘Um Rio Portas Adentro’, onde registra e relembra as grandes cheias que assolaram a cidade em 1941 e 2024 e presta tributo a algumas das personagens mais singulares e sedutoras que agitaram Porto Alegre em seus anos dourados. E-mail para contato: [email protected]
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