A feira tá pouca, o bicho tá solto, tem muito estrangeiro, muito bafafá. O dia tá feio, a lua não veio, o dinheiro não dá, não dá. E prossegue a música de Rodrigo Maranhão que eu não canso de escutar na voz correta e interpretação idem de Maria Rita e de desafinar na minha pretensão descabida de cantar pelo menos embaixo do chuveiro. Assim como a canção intitulada “Recado”, seguiu cambaleando o mês de agosto que chega ao seu final neste dia 31. Um período de encontros e desencontros, de doenças e remédios, de vitórias e derrotas, de quedas e renascimentos.
Como convém aos dias inúteis que se enrolam sem mais nem por que, às noites intermináveis que se arrastam e que apenas servem para marcar círculos nos calendários. Como se espera de um mês que antecede a chegada da primavera e que ainda carrega as malvadezas de um inverno úmido e chuvoso. Penso que tenho um lance mal resolvido com agosto por que ele indica que o final do ano é próximo, já que ultrapassamos mais da metade da agenda, do planejamento e da vida. Em breve, muito breve, formaturas, natal, presentes e comemorações e tudo de novo outra vez. E blá, blá, blá.
No final do mês, entre mortos e feridos, sobrevivi. Mesmo que seja sob armaduras e fantasiada de valente. Mas, ainda choro, por exemplo, noites e noites seguidas, enquanto o sono não chega, de saudades de minha mãe, que faleceu em 4 de julho. Lamento inúmeras vezes, as ocasiões em que economizei afeto nas minhas manifestações de carinho com pessoas tão próximas. Arrependo-me das festas que não fui dos encontros que evitei, dos abraços que neguei, e até mesmo das pautas que menosprezei. E acredito que parte destes reconhecimentos podem me conceder o perdão necessário para reavaliar, renascer, recomeçar.
Mas agosto não foi só desgosto. Juro que vivi, neste mês, umas tardes de sol, uma sessão de cinema no shopping no domingo, um show há muito esperado numa sexta-feira à noite, momentos de entrega e parceria com a minha filha Gabriela. Teve sim um reencontro, um sopro de vida, um sonho de volta. E retomei meus momentos com as crianças da família, senti saudade do afilhado Rafael que está na Argentina e comprei finalmente o ingresso para o espetáculo de teatro “5 tempos para a morte”, da super atriz e amiga Gisela Habeyche, daquelas que a gente guarda sempre do lado esquerdo do peito.
Nesta despedida de agosto, trago mais bacanitudes (não, este termo não deve ser aprovado no corretor automático) do que encrencas. E uma experiência positiva deste mês, sem dúvida, foi a convivência forçada, resultado da necessidade profissional de editar materiais, com pequenas histórias do episódio do Movimento da Legalidade, datado de agosto de 1961. No fundo, pequenas e memoráveis bacanitudes de tantos agostos.

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