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Barney e Gabriela, não necessariamente nesta ordem!

Uma prova do ecletismo musical desta que vos escreve é o fato de na coluna da semana passada ter falado e se emocionado com …

Uma prova do ecletismo musical desta que vos escreve é o fato de na coluna da semana passada ter falado e se emocionado com as letras femininas e doídas do Chico Lindo Buarque de Holanda e nesta apelar para uma canção do Barney. Muita calma nesta hora. Não estou, ao contrário do meu sentimento confesso pelo Chico, apaixonada pelo boneco engraçado de corpo grande e cor de rosa forte, enfeitado por uma imensa barriga verde, que protagoniza o desenho animado das crianças de hoje. Só peguei emprestada uma música bobinha, de letra fácil, do Barney e seus amigos, para homenagear uma pessoa muito especial na minha vida.

Atenção, lá vai: “Amo você! Você me ama! Somos uma família feliz. Com um forte abraço e um beijo te direi, meu carinho é pra você Gabriela Trezzi”, que neste 6 de dezembro comemorou 17 anos. E foi em 1994 que ganhei o melhor presente de minha vida. Alguém especial que reescreveria os meus dias. A pessoa mais importante deste meu mundo. Quiçá do mundo de todos. O ser que me faz acordar toda a manhã e pensar que tudo sempre vale a pena. O meu alimento diário. Meu elixir da vida. Meu remédio para todas as dores e para quem eu seria capaz de sentir todas as dores da medicina.

Divido a minha vida entre Antes de Gabriela (AG) e Depois de Gabriela (DG) e posso nitidamente elencar inúmeras situações que comprovam como a felicidade está diretamente relacionada à companhia de minha filha. Na fase AG, por exemplo, os dias se arrastavam, as noites se encompridavam de mágoas, os problemas se acumulavam e eu sofria de enxaqueca inexplicavelmente. Na época DG e lá se vão 17 anos e nove meses se contar o tempo de gestação, sempre faltam horas nos meus dias, as noites não são suficientes para zelar seu sono, tenho as soluções e qualquer dor mais insistente tende a desaparecer para ceder lugar às compensações.

Não serei hipócrita com meus leitores (quantos, por favor) e mentir que nós não temos desavenças, birras de mãe e filha, vez ou outra algum pensamento de “mas onde foi que eu errei”. Afinal, faz parte. Quando o ser humano atingir a perfeição é a hora de recolher seu time de campo e abandonar a existência. Também não omitirei que de vez em quando ela passa um pouco da hora de chegar, me apresenta alguma nota baixa ou recusa fazer algum programa comigo. Afinal, faz parte. Chega uma época em que os filhos são mais do mundo do que nossos e deixamos de ser tão atrativos. Mas daí é uma outra história.

A verdade é que “meu mundo mudou e me fez ficar assim”. Uma babona sem reversão. Uma apaixonada incondicional pela filha. Uma mãe coruja sem solução. Uma fã de tudo que a pequena adolescente faz. E, tenho impressão que isto não vai mudar jamais. Enquanto eu continuar neste plano. Vou amar a minha Gabriela de todas as maneiras. Amar os seus defeitos e qualidades. Amar as suas idas e vindas. Amar as suas conversas intermináveis e o seu silêncio denunciador de encrenca. Amar até o seu quarto desarrumado que eu odeio. A sua dança à 1h da manhã nos sábados. A sua vida.

Sem medo de ser ridícula. Porque, comprovando meu ecletismo literário (ai, hoje eu estou “bandida”), como disse Fernando Pessoa, assinando Álvaro de Campos no poema “Todas as cartas de amor são ridículas e não seriam cartas de amor se não fossem ridículas”, todas as palavras esdrúxulas, como os sentimentos esdrúxulos são naturalmente ridículas. E só quem nunca amou tanto uma filha é que é ridícula.

Autor

Márcia Martins

Márcia Fernanda Peçanha Martins é jornalista, formada pela Escola de Comunicação, Artes e Design (Famecos) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), militante de movimentos sociais e feminista. Trabalhou no Jornal do Comércio, onde iniciou sua carreira profissional, e teve passagens por Zero Hora, Correio do Povo, na reportagem das editorias de Economia e Geral, e em assessorias de Comunicação Social empresariais e governamentais. Escritora, com poesias publicadas em diversas antologias, ex-diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors) e presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Porto Alegre (COMDIM/POA) na gestão 2019/2021. E-mail para contato: [email protected]
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