Fu Lana resolveu fruir por duas horas. Queria voltar à forma antiga quando ficava frente à obra e deixava acontecer. Tudo entrava pelos poros, pelo cérebro, e acontecia. Estaria ela apenas fora de forma ou perdera o trem da contemporaneidade? Ou estava ficando velha mesmo? A caminho do Margs, detalhes da arquitetura a reconfortavam. “Mais velha sou eu”, dizia a escultura do Atlas, repintada de branco na fachada da construção amarela. Ela procurava a Galeria Iberê Camargo para ver o trabalho de Bina Monteiro. Depois iria à Galeria Oscar Boeira checar a instalação Boates de André Venzon. Logo na abertura da Bina, um texto de Paulo Gomes. Fu Lana não saberia dizer aquilo tudo. Palavras difíceis. Resolveu experimentar sozinha.
Já no primeiro trabalho, Bina usa caixas, telas, xerox e pintura (aleluia). Remete a túmulos, música e passado. As figuras sem boca, Fu Lana reconheceu de alguns anos atrás. Pelo menos a memória fulânica funcionava. As obras têm um toque regional nos temas. Dá para reconhecer a memória de uma gaúcha sobre arte, política, crenças, hábitos religiosos, nobreza e literatura. Em um dos trabalhos, Getúlio pede votos para a glória do Brasil, depois aparece morto ao lado de sua carta-testamento. A denominação técnica-mista fica por conta da parafernália dos recursos presentes. Deve ser a “manualidade” de que fala o curador, porém o melhor prazer para Fu Lana foi apreciar a pintura (aleluia!). Medalhinhas de santos em caixas de marmelada remetem a ex-votos. Cabeças de papiê machê em meio a rendas coladas em telas lembram altares. Fu Lana não conseguiu evitar um dejá vu. Muitas exposições, nesses últimos dez anos, trouxeram caixinhas e cabeças de boneca, mas, de Bina, havia a pintura (aleluia). Ainda bem.
Boates de André Venzon é uma instalação. Se na exposição anterior Fu Lana passava frente às obras, desta vez estava dentro dela. Além da sensação de estar incluída entre as pinceladas de luz, havia elementos que chamavam para o raciocínio. Elementos racionais especificamente colocados pelo autor, como se fosse uma charada, que apenas alguns percebem. São os sinais da obra contemporânea. Não basta sentir. Há que pensar e somente depois de compor a construção, poderíamos ter visto de fato o trabalho. Um dito de Antonioni, de 1960, ao mesmo tempo, dá a pista e encerra a visita. Algo como: os hospitais no futuro virarão boates, pois vamos nos divertir até o fim. Fu Lana não quis cansar os neurônios. Saiu do Museu satisfeita. Não estava assim tão enferrujada. Um pouco ranzinza, mas isto é normal.
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Três jornais chilenos foram condenados por infringir normas éticas e profissionais da comunicação ao informarem sobre 119 pessoas desaparecidas durante a ditadura chilena. Na época, faziam parecerem falsas as alegações de mortes e torturas, diminuíam a importância dos fatos e denegriam as vítimas. À luz da história, é preciso perguntar, como ficaremos?
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O governador e candidato a presidente da República do Brasil, Geraldo Alckmin, figura na capa de uma revista de medicina tradicional chinesa em São Paulo, com extensa matéria no miolo. A companhia estatal de transmissão de energia elétrica havia comprado espaço de propaganda institucional. Porém, a matéria não estava assinada e não configura anúncio. É a utilização do dinheiro público em propaganda eleitoral. De fato, não há santinhos no cabaré.

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