
“Preciso viajar de volta ao encontro do que
guardei no mais profundo de mim”.
James Joyce.
Quando eu perdia um de meus brinquedos, minha mãe tentava ajudar, dizendo que eu devia apelar para o santo das causas perdidas. Fiz como ela mandou, mas o meu carrinho vermelho não voltou. Então fui até meu Tio Armando:
” – Tio, aonde estão os brinquedos que perdi?”.
A resposta era sempre a mesma:
” – Teus perdidos não estão perdidos, eles foram para o limbo das coisas”.
E acresentava uma frase que guardei por muito tempo:
” Quando ficamos velhos, encontramos o que perdemos na infância…”.
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Escritores e poetas escreveram sobre a permanente e inútil obsessão de voltar no calendário para recuperar o que perdemos. Os filósofos dizem que deixar o tempo presente para buscar o tempo perdido pode ser inútil e frustrante. É comum nos afeiçoarmos a objetos, roupas e objetos do cotidiano. Em criança são brinquedos que ganhamos no Natal e tantas outras quinquilharias, cujo imutável destino é serem perdidas. Depois, a tendência é dirigirmos afeto aos brinquedos de adultos – uma bela jóia, uma peça de vestuário, uma bicicleta, um carro.
Para Marcel Proust, o escritor do tempo perdido, temos a compulsão de conservar um acervo de desaparecimentos. Mais do que coisas materiais, são cenários esquecidos ou personagens, parte de nossas fantasias e pesadelos.
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No outro dia, encontro um antigo vizinho de bairro em Porto Alegre. Conversa vai, conversa vem, tentamos trocar lembranças daqueles velhos tempos. Sem pensar, falei nos jacarandás floridos de Novembro e na torre da igreja do Divino, iluminada nas festas com lâmpadas coloridas.
Mas o ex-vizinho tinha outras lembranças, totalmente desconhecidas para mim – o perfume que Dona Berta usava aos domingos e os olhos azuis da Maria Lúcia, que morava ao lado, na casa 307…
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One Comment
“Buscando Perdidos”, excelente. No remete a lembranças passadas.
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