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Charlie et Snoopy etc.

Snoopy, o pioneiro, 60 anos sábado próximo   Quino, em 1973, jogou a toalha e “matou” a Mafalda antes que ela completasse 10 anos. …

Snoopy, o pioneiro, 60 anos sábado próximo

 

Quino, em 1973, jogou a toalha e “matou” a Mafalda antes que ela completasse 10 anos. Hoje, aos 78 anos, briga com um glaucoma.

Schultz, em janeiro de 2010, ano em que os Peanuts completariam meio século de publicação, derrotado pelas coronárias, rendeu-se e desenhou sua última tira, só publicada um mês depois, no dia seguinte ao seu adeus.

Esse adeus doeu-me como se tivesse perdido um companheiro de vida, pois, entre outras coisas, Schultz afagava as tristezas dos meus fracassos e me ensinava a ser solidário com o fracasso alheio.

Preocupado com o grande sucesso da Mafalda, e não querendo que a sua criação se tornasse maior que ele, Quino,  como acontecia com o Snoopy, voltou-se exclusivamente para as charges.  Se sucesso é fama ou popularidade, essa a Mafalda ganhou dele.

Enquanto Mafalda não se conformava com os valores do mundo à sua volta, Charles Monroe Schultz usava  seu próprio nome,  o Charlie, que simbolizava todos os fracassos que o autor atribuía a si mesmo, numa amarga autobiografia.

Charlie Brown, protagonista do que não dava certo, fazia parte de uma patota em que todos os personagens são perfis verdadeiros de uma longa caminhada iniciada pelo autor em Minneapolis, EUA, em 1922. Enquanto exorcizava sus perdas, Schultz investigava a precária condição humana.

Um retrato que eu gosto, pinçado na Intenet: “…  Charlie Brown, o protagonista, é aos poucos composto como o ápice de todas as nossas neuroses, a inabilidade em pessoa, o perdedor crônico, o eterno fracassado que jamais consegue vencer um jogo de beisebol, receber um cartão no Dia dos Namorados ou fazer voar uma pipa e que procura dentro de si mesmo, sem jamais encontrar, coragem suficiente para conversar com uma menina ruiva que ele ama em silêncio. E, com isso, nos transforma e nos redime…”.

O personagem que deu início aos Peanuts, Snnopy, o pioneiro da patota, refletia a nossa necessidade de sonhar acordado e de fugir da realidade. Nessa projeção de identidades falsas, o beagle Snoopy concentra a ilusão de ser o que não é.

Assim como na Mafalda predominava a incorfomidade política e ideológica, a patota do Schultz sintonizava o universo humano em sua complexidade existencial.

Agora, alegrias pessoais.

No Rio, em 1952, a família de Roberto Marinho à frente funda a Rio Gráfica Editora, quase que somente editando histórias em quadrinhos e, em 1986, as Organizações Globo compram a editora gaúcha, fundem ambas que passam a operar somente como Globo.

Cyro del Nero e eu prestávamos diversos serviços à ainda Rio Gráfica e eu, inclusive, como “frila”, os de propaganda, quando aconteceu um dos mais gratificantes trabalhos da minha vida: Sérgio Cabral, o pai, Cyro del Nero e eu produzimos a coleção de fascículos e  LPs semanais vendidos nas bancas de jornais: Música Popular Brasileira, que ia desde seu início até o ano de 1976.

Na mesma época, criei para a editora uma campanha institucional sobre a história em quadrinhos e, ao pensar o slogan, não deixei barato: Quadrinhos, uma história muito séria.

 

Inté.

Vitrine (comentários referentes à coluna anterior)

Mestre Mário. Como você, gosto muito do Quino. Conheci seus inteligentes e sarcásticos quadrinhos pela rica biblioteca que meu Pai sempre nos proporcionou. Por conta das escolhas da vida, sobre as quais você magistralmente escreveu em coluna anterior, viajei boa parte do mundo, mas ainda não visitei Buenos Aires. Tenho muita vontade de ir, em tiro longo, até a Patagônia. Não sei se sabe, mas adoro temperaturas que beiram zero grau. Se for mais baixa, tanto melhor. Portanto, mais um motivo – além da Mafalda e as outras riquíssimas criações de Quino – para visitar o país portenho. Obrigado pela dica e pela nova e saborosa história. O fã confesso, Carlos Eduardo, Florianópolis.

Caro Mario.

Li com alegria sua coluna de 21/09/2010. Lembrei-me dos tempos da Caetano, com saudades. Você tem memória sensacional e é sempre bom lembrarmos da nossa juventude e dos episódios vividos. A referência ao banco no jardim da Praça da República me emocionou bastante, assim como ao Pellegrino como disse na resposta que você registrou. Um grande abraço de seu amigo de sempre. Eugenio Egas Neto, São Paulo.

Marião,

Deixe eu lhe contar uma frase ontológica da Mafalda que nunca mais esqueci. Creio que em espanhol soa mais adequado e engraçado: “Por que justo a mi me tocó ser yo?” Que se poderia traduzir assim: “Por que justamente a mim me tocou ser eu?”. Em matéria de briga do “eu” consigo mesmo, não me lembro de piada melhor. Abração. Mont (José Monserrat Filho), Brasília.

Querido Mário, feliz por ter reiniciado minha rotinha no computador, me deparo com sua coluna com direito a quadrinhos de Mafalda e tudo o mais. Abraço apertado da irmã/cunhada. Lúcia (Aguiar), Fortaleza.

Mario. Inesperado reencontro eletrônico diminui a distância dos amigos. Tua excelente coluna provocou recordação de saudoso tempo distante, ainda parte de nossa emoção. Pabla Alessandra, Rio.

Mario, muito boa a coluna! Esse banco é mais um motivo para volver a Buenos Aires, cidade que não visito há 30 anos. Sempre gostei muito da Mafalda. Minha tira inesquecível é quando um senhor, engravatado, depois de apresentado a Mafalda pela mãe, pergunta: -“Você estuda todos os dias, menina?” E ela responde: – “E o senhor, sempre paga seus impostos?”. Depois do inevitável puxão de orelha da mãe, ela argumenta: -“Foi ele quem começou a falar em deveres…”

Também de Quino, mas não com Mafalda, outra genial: Um homem assiste a uma novela na TV. Na tela, um casal. A mulher diz: -“Só os muito burros e recalcados acham que estou com você por interesse!”. O telespectador reage: -“Caramba! É a primeira vez que sou ofendido à distância!” Abração, Gustavo (Borja Lopes), Rio.

Ao pé da coluna, a generosidade de um colega de Coletiva: 

Mario, forte abraço, um banco na Calle Chile me comoveu, em profundidade, a passagem por Mafalda e Quino em especial. Grande Mario, um dia vou escrever como você. Abraços. Paulo Tiaraju, Porto Alegre

Mario…..Maravilha… nós gostamos de você!!! Mario Maravilhaaa: escreve mais um pra gente ler!!!! (inclusive vc poderia escanear aquela comanda do Antonio’s que o  grande pintor Di Cavalcanti, almoçando com você, distraidamente foi desenhando e no final do almoço você, genialmente, comment il faut, pediu pra ele autografar, o que ele fez amigavelmente e que você mostrou pra gente, na volta do almoço; orgulhosíssimo! você ainda a tem?) fica feliz… Luiz (Orquestra) São Paulo.

Aos mais jovens: Fio era atacante do Flamengo. Trecho da primeira versão da música Fio Maravilha, de Ben Jor:

Fio maravilha nós gostamos de você

Fio maravilha faz mais um pra gente vê

(Ben Jor)

Autor

Mario de Almeida

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