A China aprovou a criação de uma rede de protocolos de internet (IP) alternativa à atual que, segundo Pequim, está excessivamente dominada por empresas dos Estados Unidos e não é suficiente, tendo em vista o crescente aumento de internautas nos países mais povoados, informou o jornal “China Daily”. As empresas se remuneram com componentes para a internet.
No último final de semana, um painel de analistas governamentais e não-governamentais chineses aprovou a criação da Cernet2, uma rede com a qual a China pretende colocar-se na liderança mundial no desenvolvimento de uma nova versão das redes IP.
Cada computador conectado à internet tem um número de identificação, o IP, que lhe permite comunicar-se através da rede e enviar e receber dados. A versão atual, a IPv4, só é capaz de fornecer 4.294 bilhões de números, o que não permitiria que, no futuro, cada pessoa tivesse pelo menos um número de IP (a população mundial atual supera os 6,5 bilhões), algo que preocupa nações de grande população como a Índia ou a China, onde o uso de internautas cresce rapidamente.
A China e países como os EUA, Coréia do Sul e Japão estão desenvolvendo, cada um por sua conta, e sem revelar muitas informações sobre suas pesquisas, uma nova versão do protocolo (IPv6), que admitiria uma criação de números suficientes para atender ao crescente aumento no uso da internet.
As pesquisas dos Estados Unidos são desenvolvidas pelo Departamento de Defesa, enquanto Pequim as enquadra como “Internet Chinês da Próxima Geração”. Especialistas citados pelo “China Daily” se queixaram de que o IPv4 “é controlado pelos Estados Unidos”, já que muitos dos aparatos que os computadores usam são produzidos majoritariamente por empresas americanas, como a Cisco Systems ou a Juniper Networks.
Para fazer frante a isso, o sistema Cernet2 é apoiado por empresas como a China Telecom, a Lenovo ou a China Mobile, que produziriam equipamentos para fins comerciais. O “China Daily” assinalou que as empresas do país oriental esperam lançar os primeiros aparatos antes do final deste ano. Por enquanto, a rede Cernet2 será testada em 25 universidades de 20 cidades chinesas, antes de sua possível extensão por todo o país.
Vale registrar que a China é o segundo país do mundo em número de internautas (123 milhões), atrás apenas dos EUA. E, o mais importante, o potencial de aumento na China continua sendo muito alto, devido à enorme população do país asiático (1,3 bilhão).

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