Da janela observo a chuva que cai, às vezes de forma torrencial, outras com intensidade mais fraca, mas sempre sem poucos intervalos de trégua desde o último domingo. E, embora tenha recebido diversos avisos dos Institutos de Meteorologia, para estar preparada para uma desocupação rápida do apartamento com a persistência dos pingos, não acreditei, num primeiro momento, que o retrato devastador da enchente de 2024 no Rio Grande do Sul, pudesse se repetir. Afinal, desde os desoladores abril e maio daquele ano, as autoridades da administração municipal e estadual asseguram, e juram de pé junto, que medidas foram tomadas para evitar algo parecido.
Mas a realidade mostra que muitas providências anunciadas ficaram apenas no discurso. E, mais uma vez, a população gaúcha, em muitas cidades, revive aqueles dias terríveis de 2024. Hoje já são contabilizados 143 municípios do Estado afetados com o volume de chuvas. Lamentável que novamente o Rio Grande do Sul seja surpreendido com uma situação que poderia sim ter sido evitada e minimizada.
Cenas de alagamentos em várias cidades do Estado, famílias deixando suas casas, perdendo móveis, vendo lembranças se perderem na correnteza da água. Homens, mulheres, crianças desatinadas tentando salvar alguns pertences e procurando um local seguro para se abrigarem.
Negligência. Não há outra palavra para definir a atuação do Governo do Estado e da Prefeitura de Porto Alegre na prevenção de um novo desastre depois da maior tragédia climática
E trago um exemplo bem preocupante. Ao falar à Rádio Gaúcha na quarta-feira, 22, o coordenador da Defesa Civil do Estado, Luciano Boeira, disse que os modelos hidrológicos utilizados subestimaram a resposta dos rios. Por isso, não foi possível antecipar a rápida elevação do Rio Taquari. Mas se a estrutura que seria responsável por alertar sobre o que poderia acontecer falha, o caos está instalado. Reina então uma imprevisibilidade diante de uma chuva que não poderia ter sido evitada. Mas que exige, desde a enchente de 2024, medidas efetivas para que aquilo não se repita. E que saiam do discurso para a prática.
Pobre Rio Grande do Sul e seus 497 municípios. Pobre Porto Alegre que vê com preocupação o nível do Guaíba subir e que, segundo alerta dos meteorologistas, deverá se elevar significativamente nas próximas horas. É muito triste. É muita irresponsabilidade. Chove chuva, chove sem parar. E seguem submersas não só as casas de famílias que já haviam sido atingidas em 2024. Mas seguem submersas as esperanças de não mais reviver o caos daquela enchente.


2 Comments
Rezando pra um frio que leve a chuva Marcinha. Mas sem vento sul, que as águas estão chegando no Rio Guaíba e precisam sair para a Lagoa. O vento represa !
Também na torcida Ju
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