
Com enternecedora frequência, o poeta Mário Quintana, nascido no Alegrete se declarava apaixonado por Porto Alegre, que ele dizia ser sua cidade adotiva:
“Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei…”.
Outro poeta que louvava sua cidade era o uruguaio Eduardo Galeano, conhecido por suas demoradas andanças pelas ruas de Montevidéu. Dizem que se demorava diante dos velhos casarões decadentes da Ciudad Vieja, imaginando os dramas e tragédias de seus antigos moradores:
“Caminhando pela cidade, palavras
caminham comigo e vão formando estórias”.
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Os poetas saudosos de suas cidades sabem como ninguém moldar em versos a nostalgia que sentimos pelos primeiros dias e anos. Como Fernando Pessoa, lembrando de si mesmo:
“No tempo em que festejavam o dia de meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
E tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma”.
E completa, tristemente:
“O que sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim mesmo como um fósforo frio”.
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Mais ao Norte, na distante Irlanda, James Joyce, o autor de “Ulysses”, também fala de encantamentos mágicos:
“Dublin é uma cidade que se ama mesmo
sem nunca ter estado lá”.
E de sua misteriosa conexão, soando como um antecipado adeus:
“…Minha jornada vai terminar quando
eu chegar onde tudo começou…”.
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One Comment
Cada vez melhor.
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