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Cidades e poetas

Com enternecedora frequência, o poeta Mário Quintana, nascido no Alegrete se declarava apaixonado por Porto Alegre, que ele dizia ser sua cidade adotiva:

“Sinto uma dor infinita

Das ruas de Porto Alegre

Onde jamais passarei…”.

Outro poeta que louvava sua cidade era o uruguaio Eduardo Galeano, conhecido por suas demoradas andanças pelas ruas de Montevidéu. Dizem que se demorava diante dos velhos casarões decadentes da Ciudad Vieja, imaginando os dramas e tragédias de seus antigos moradores:     

“Caminhando pela cidade, palavras

caminham comigo e vão formando estórias”.

***

Os poetas saudosos de suas cidades sabem como ninguém moldar em versos a nostalgia que sentimos pelos primeiros dias e anos. Como Fernando Pessoa, lembrando de si mesmo:

“No tempo em que festejavam o dia de meus anos,

Eu era feliz e ninguém estava morto.

E tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma”.

E completa, tristemente:

“O que sou hoje é terem vendido a casa,

É terem morrido todos,

É estar eu sobrevivente a mim mesmo como um fósforo frio”.

***

Mais ao Norte, na distante Irlanda, James Joyce, o autor de “Ulysses”, também fala de encantamentos mágicos:

“Dublin é uma cidade que se ama mesmo

sem nunca ter estado lá”.

E de sua misteriosa conexão, soando como um antecipado adeus:

“…Minha jornada vai terminar quando

eu chegar onde tudo começou…”.

***

Autor

José Antônio M. de Oliveira

O colunista é um veterano jornalista e publicitário. Assina uma coluna no Coletiva desde 2005. Foi repórter e redator nos jornais A Hora, Jornal do Comércio, Folha da Tarde e Correio do Povo. Como publicitário, atuou na MPM Propaganda nas sedes de Porto Alegre, do Rio de Janeiro, de São Paulo e também em Nova York, durante o convênio MPM / N.W.Ayer Advertising. Criou e redigiu comerciais e anúncios para Ipiranga, Renner, Banco do Brasil, Embratur, I Love New York, Pan American World Airways e American Airlines. Diretor de Comunicação do Grupo Iochpe, foi co-fundador do CENP, a entidade de normas éticas para anunciantes e agências de publicidade. Em 2021 publicou o livro de memórias ‘Entre Dois Verões’ – já esgotado – contendo 30 crônicas sobre sua infância nos campos do Sul e na Porto Alegre dos anos 50. Agora, volta à cidade em seu segundo livro, ‘Um Rio Portas Adentro’, onde registra e relembra as grandes cheias que assolaram a cidade em 1941 e 2024 e presta tributo a algumas das personagens mais singulares e sedutoras que agitaram Porto Alegre em seus anos dourados. E-mail para contato: [email protected]
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