Os sites de notícias gozam de uma liberdade jamais concedida aos outros veículos de comunicação, para o bem e para o mal. Para o bem, sem dúvida, porque, neste caso, a liberdade inclui, além da ausência de censura, a capacidade de alterar, acrescentar ou suprimir notícias com a máxima agilidade possível ao cérebro e aos dedos humanos. Milhões de pessoas em todo o mundo se informam ao longo do dia dando rápidas passadas pelas páginas, o que de certa forma ameaça não os jornais, capazes de aprofundam os temas, mas a televisão, que oferece a mesma superficialidade horas depois.
A tremenda facilidade e rapidez da internet levam os sites a colocarem no ar informações não checadas, muitas vezes obtidas de fontes suspeitas, além de um grande número de bobagens. Mas é próprio da liberdade propiciar excessos, cabe a seus usuários estabelecer os próprios limites, o que nem todos fazem com a devida precisão. O mais interessante nisso tudo é que o sensacionalismo, o mau gosto, a inutilidade, a apelação barata e congêneres são aceitos sem constrangimentos tanto pelos editores e redatores dos sites quanto pelos internautas.
Jornais, revistas, rádios e TVs são constantemente atacados por publicar material considerado lixo pelas mesmas pessoas que esquecem os pudores na hora de os consumir via internet. Notícias policiais, fofocas sobre celebridades, denúncias infundadas e mundo cão em geral adquirem súbita dignidade no jornalismo internético (e não me corrijam pelo “internético”, apenas gosto da palavra). Há espaço para tudo, claro, como no mundo físico, a diferença é que na internet é possível publicar em jornais classificados como sérios todos esses ingredientes.
As redações dos sites são povoadas, na maioria, por profissionais bastante jovens, o que deveria neutralizar o viés cínico, mas não o faz. Evita-se o rótulo indesejável a pairar sobre outros veículos com a utilização do expediente maroto de colocar como cartola algo do tipo “Mundo cão”, “Tablóide” ou “Curiosidades”. Não sou dos críticos mais ferozes deste tipo de notícia porque, como quase todo mundo (embora a maioria negue com veemência), de vez em quando gosto de uma abobrinha. Mas a dissimulação poderia ser dispensada.
Resolvi aproveitar a elasticidade de critérios da rede e ilustrar esta página com uma foto da Angelina Jolie. Nada a ver com o assunto. Ela é uma deusa e chamou a atenção para o meu texto, não chamou? Simples. Sem cinismo.
Dedicado a Luciane Aquino

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial