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Ciscando pelas teclas

Livre ou autoarbítrio – cada um é responsável pelo seu. (Mario, o acaciano) Vou logo avisando aos menos viajados no tempo que esse acaciano …

Livre ou autoarbítrio – cada um é responsável pelo seu.

(Mario, o acaciano)

Vou logo avisando aos menos viajados no tempo que esse acaciano vem do Conselheiro Acácio, do Primo Basílio, do Eça de Queirós, personagem celebrizado, entre outras coisas, como o profeta do óbvio.

Acabo de mandar um e-mail para Aurea, minha mulher: Se amar você molhasse, eu inundava. Mandei com cópia para minhas duas filhas, para minha neta e para o genro, afeto de filho.

De repente, decidi tornar público que tenho a felicidade de ser o patriarca de uma família unida e solidária. Solidariedade, inclusive, trago do berço, herança de meus pais e outros do mesmo sangue.

Sinto que a família que formamos tem um referencial de amigos que justifica Mário Quintana: a amizade é um amor que nunca morre.

Nos anos 1970 conheci e fiquei amigo do músico Luiz Orquestra, nos corredores e em salas da TV Globo, Rio. Pela Internet, ele me descobriu há pouco tempo e descobrimos, também, que crescemos e moramos a menos de quilômetro, no bairro paulistano de Pinheiros.

Na “Vitrine” da coluna anterior Orquestra, pediu-me que escrevesse sobre Mário Quintana. Não posso repetir o que já fiz em texto enorme.

Antes que o país festejasse, em 2006, os 100 anos do nascimento do amigo Quintana, o ator Rogério Fróes pediu-me que escrevesse um texto sobre o poeta para a montagem de um espetáculo. Obrigações profissionais do ator frustraram o projeto. Vou caçar o texto para mandá-lo para o meu amigo Orquestra, mas não sou pão-duro para com o leitor que gasta a paciência comigo e dou-lhe um trecho do espetáculo que não houve e informo que nele, o Rogério não diria uma única palavra que não fosse do Quintana:

Narrador: Assim como na obra lírica de Camões a palavra de maior presença é “alma”, Quintana, já no título de seu primeiro livro, Rua dos Cataventos, elegia “vento” e “ventos” como palavras constantes…

NOTA MUSICAL

Narrador: Lembrando-se do famoso filme E o Vento Levou, o poeta lembra o que o vento não levou.

Rogério (Quintana): No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas que o vento não conseguiu levar:

um estribilho antigo

um carinho no momento precisoo

folhear de um livro de poemas

o cheiro que tinha um dia o próprio vento…

Narrador: O poeta encontra no vento uma semelhança em Canção à beira de estrada.

Quintana:

O  menino canta  canta

Uma canção que não tem sentido

Como não tem sentido o vento

Nem a minha nem a tua vida…

Narrador – Poeta, ouça seu colega Manoel de Barros, num trecho de O Vento:

Se a gente jogar uma pedra no vento

Ele nem olha pra trás.

Se a gente atacar o vento com enxada

Ele nem sai sangue da bunda

Ele não dói nada.

O vento não tem tripa.

Se a gente enfiar uma faca no vento

Ele nem faz úi.

NOTA MUSICAL

Narrador: E Gilka Machado se desnudava na Volúpia do Vento:

… E não podes saber do meu gozo violento,

quando me fico, assim, neste ermo, toda nua,

completamente exposta à Volúpia do Vento!

Quintana:

Recordo ainda… e nada mais me importa…

Aqueles dias de uma luz tão mansa

Que me deixavam, sempre, de lembrança,

Algum brinquedo novo à minha porta…

Mas veio um vento de Desesperança

Soprando cinzas pela noite morta!

E eu pendurei na galharia torta

Todos os meus brinquedos de criança…

Estrada afora após segui… Mas, ai,

Embora idade e senso eu aparente

Não vos iludais o velho que aqui vai:

Eu quero os meus brinquedos novamente!

Sou um pobre menino… acreditai!…

Que envelheceu, um dia, de repente!…

Narrador: Poeta, sintetize o vento:

Quintana:

Vento: pastor de nuvens.

Antes do ponto final quero registrar algumas palavras do poeta as quais gostaria de assinar às vésperas dos meus 80 anos:

Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão… Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades e às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim… e que valeu a pena.

Já escrevi que indagado qual seria o slogan que faria para mim mesmo, respondi que a Fiat já o usava em campanhas institucionais: “A ideia é ser útil”.

Inté.

 

Vitrine (Comentários dos leitores)

Prezado Mário, a tua afirmação, convicta: “Na verdade, nem um milhão de sessões de Psicanálise conseguiria eliminar esse meu doentio amor-próprio”, sugere-me também que tens uma fé inabalável. Dizem que religião, futebol, etc… mas achei por bem mencionar  um trecho da Bíblia (Jo-17.20) que diz : ” Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que por tua palavra hão de crer em mim. Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um.” Você tem razão, muitas respostas não são dadas, mas há também muitos sinais que nos ajudam a perceber coisas, é sempre mesmo uma questão de fé. A lógica muitas vezes nos conduz para o agnosticismo. Abraços. Aderbal (Moura) executivo, Rio.

Mario, um nome  se conquista no correr do tempo e das sutilezas que brotam  na conversa… a tal paciência e capacidade de observação e reflexão jamais experimentadas pelos preguiçosos mentais. O nome certo é Mario Lúcido Coelho Pinto de Almeida, de quem eu tenho o privilégio da amizade plena e absoluta. Viva Mario de Almeida!  E pronto. E as inteligências se acendem todas com intensidade superior ao Astro Rei. Aleluia, Saravá, Léo (Christiano), empresário, editor, Rio.

Mario de Almeida, excelente coluna pelo sentido que dá ao debate sobre esse imbróglio religioso. “Um só deus”, no entanto, não sabemos a quem pertence esse ente superior, se aos cristãos, judeus ou muçulmanos. Tenho uma terrível dúvida: por que a existência de três profetas se deus é único? Palavras que consagram algo superior para mim, acima de qualquer ente ou crença: liberdade; livre arbítrio. Abração. Eloí Flores, diretor Ulbra, campus Guaíba, Porto Alegre.

Autor

Mario de Almeida

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