Revistas e jornais semanais têm sinalizado uma nova demanda do lulodilmismo.
Além de acomodar todos os apaniguados em quase quarenta ministérios, precisa achar um operador do direito ambicioso, alinhado com os ideais esquerdistas do mundo, porém não demasiado carimbado como tal. O cargo a ser ocupado, de ministro do Supremo Tribunal Federal, em um passado não muito recente exigia notório saber jurídico, o que implicava sólida formação acadêmica e aprovação nos concursos atinentes à carreira. O governo atual, especialmente na última nomeação realizada, demonstrou que fidelidade à causa pode equivaler-se às exigências do passado. Chega de elitismo intelectual!
No período inicial do desempenho da nova tarefa, caberá ao profissional alinhar-se juridicamente às mais esdrúxulas causas defendidas pelo governo: garantir a permanência no Brasil de um conhecido terrorista italiano e respaldar a garantia dos mandatos de políticos cuja conduta pública implicou condenações.
A boca é das boas. Salário alto e sinecuras top.
Ao que parece, não está tão fácil fazer esta manobra. É algo tão difícil quanto achar um genro que leve a foto da sogra na carteira.
Ainda que se abra mão do caráter do escolhido, é difícil achar alguém com certo polimento intelectual que abrace as causas.
O episódio, no entanto, sinaliza para a premência da mudança das regras para a nomeação à Suprema Corte. O modelo vigente cria uma situação que ameaça a independência dos Poderes.
A situação atual, que apresenta um presidente com larga maioria no Senado, propicia a indicação de qualquer um desde que alinhado com a causa.
Que alternativas temos? Indicação de instâncias do Poder e referendo do Presidente? Eleição? Ambas apresentam uma solução mais republicana…
Perguntando
O que faz você sentir-se mais humilhado: o Brasil atrás da Bolívia e do Paraguai no ranking mundial da educação da Unesco ou o presidente ter que fazer duas escalas técnicas quando vai à Oceania?
O que faz você sentir-se mais humilhado: seu presidente classificar como presos comuns as vítimas da ditadura cubana em greve de fome ou o avião presidencial ter que dar uma parada em Lisboa quando seu destino final é Frankfurt?
O que faz você sentir-se mais humilhado: o presidente defender o regime sanguinário de Ahmadinejad ou ele dar uma descansada em Paris quando vai paparicá-lo?

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