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Coerência a gente cobra dos outros

A minha atividade de consultoria implica viagens constantes. Nestes tempos de hiperconectividade, dentro do avião é um dos poucos lugares em que não há …

A minha atividade de consultoria implica viagens constantes.

Nestes tempos de hiperconectividade, dentro do avião é um dos poucos lugares em que não há possibilidade do celular tocar ou de uma mensagem chegar. O Facebook fica paradinho. É oportunidade para ler, escrever, ver um filme, relaxar.

Entretanto, cada vez mais, nas bordas das viagens aéreas temos o caos.

Só para exemplificar, no último mês deparei-me com as seguintes situações: uma bagagem que demorou 40 minutos no aeroporto de Confins, uma fila de táxi de mais de hora numa manhã em Guarulhos, uma fila de duas horas no chequim da Gol em Porto Alegre. Aconteceu comigo, mais um monte de gente… Quanto custa para a sociedade?

Além disso, a climatização do Galeão é precária e a nova ala velha do Salgado Filho é de uma falta de estrutura lamentável.

Copa e Olimpíada logo depois da curva implicam uma providência urgente.

O óbvio: conceder a empresas privadas o direito de exploração dos terminais por um período, considerando que elas façam as prementes obras.

Durante a campanha presidencial, a candidatura do partido do Delúbio Soares – o novo PDS? -, satanizou esta solução. A lógica do leviatã deveria preponderar. Estado só não maior do que o atraso a que o estado grande conduz.

Agora, com quatro meses de mandato, o Governo Federal informa, ainda que usando eufemismos, que aeroportos serão privatizados. A expressão parceria-público-privada é a panaceia do momento.

Ora, fosse o neoliberal e malévolo FHC – aquele da herança maldita do país com estabilidade econômica e livre de um bando de estatais perdulárias, lembra? -, estaria o petismo a urrar, criticando a privataria e a entrega do patrimônio nacional ao grande capital.

O mais interessante: ninguém cobra nada. A oposição congratula-se com o rasgo de inteligência. Governistas e neogovernistas silenciam encabulados.

E segue a vida…

Autor

André Arnt

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