Hoje, vou contar sobre uma palestra que assisti, apresentada por Élida Tessler, artista plástica, em evento da Série Depoimentos: Coisas Essenciais da Vida.
Nelson Brissac, filósofo e curador do Projeto Arte/Cidade (que ocorreu paralelamente à 25ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo), provocou e testemunhou a aproximação e o processo da injeção de 25 artistas dentro da zona leste de São Paulo. A complexidade das experiências reunidas em diversas ações entra como um líquido na circulação de um corpo vivo. Brissac tentou dar uma idéia do que foi esta “Babilônia” de enfrentamento, absorção e elaboração do proposto pela curadoria.
Duas palavras-chave restaram da primeira edição do Projeto segundo Brissac: negociação e interdisciplinaridade. Os artistas têm diversos interlocutores, desde funcionários públicos, engenheiros, arquitetos e a população local. A Zona Leste de São Paulo foi escolhida por ser uma área que sofre conseqüências do desinvestimento maciço causado pelo abandono local de grandes indústrias, restando um imenso patrimônio, barato e em condições precárias. Uma concentração urbana que pode chegar a três milhões de pessoas, sendo que dez mil moram na rua e não possuem nada. Uma das obras, de um grupo holandês, para exemplificar, foi a montagem, nas palavras de Brissac, de “barracas” semelhantes às utilizadas pela população do bairro, considerado o mar do informal, sua base econômica.
Instaladas em pontos determinados, no primeiro dia da instalação, as barracas foram desmontadas e carregadas pela Prefeitura. Mesmo tendo-as autorizado. Quando voltaram as barracas, a justificativa foi: “Não sabíamos que era arte”. Novamente instaladas, foram ocupadas pelas pessoas que habitam e transitam na área. Brissac mostrou fotos de vendedores, pessoal morando nas instalações, ouvindo radinho, tomando sombra.
A arte pode ser o fio tênue do que de mais essencial houve e haverá. Complexa, incisiva como uma injeção em um corpo vivo, porém cego de si.
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Ou as questões são gigantes, ou dou a elas visibilidade desnecessária. A questão do design, por exemplo. Existem designers que não se acham como tal. São artistas gráficos (ou plásticos), diagramadores, editores de arte, diretores de arte, ilustradores, enfim, qualquer outra coisa. Eu mesma, como designer, às vezes me pergunto: O que eu faria hoje dentre as seguintes opções de especializações: um curso de criatividade, onde você trabalha com grades, desenhos e referências em papel? Um curso de arte contemporânea aplicada ao meio ambiente urbano? Um curso de photoshop, com informações sobre fechamento de arquivo? Um curso de administração, gestão, marketing e negócios? Ou ainda um curso para aprender a se comunicar por escrito? Ou Web? Opção z: todas as alternativas, e muitas outras estão corretas. O coitado do designer é como um adolescente frente aos caminhos profissionais. Sugestão? Fechar os olhos, espiar e escolher. Fazemos assim o tempo todo. Seja como for, “estaremos” sempre designers.

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