Não iniciei o 2015 pulando com o pé direito para ter um ano novo cheio de prosperidade, sorte e alegrias. Não chupei sete sementes de romã na virada do ano, embrulhei-as em um papel e guardei na carteira para ter dinheiro de sobra em todos os dias de 2015. Também não obedeci à simpatia que aconselhava a comer 12 gomos de uva do cacho ao mesmo tempo, mentalizando paz, saúde, união, prosperidade e amor para mim e todos da família. Nem mesmo usei uma roupa com as cores dos orixás do ano que começava e nem comi uma colher de lentilha porque representa fartura e crescimento o ano inteiro.
Como não estava passando a virada do ano na praia, não foi possível pular as sete ondas, e para cada uma delas, fazer um pedido diferente, com a garantia de realização no ano que se iniciava. Ao contrário do que sugerem para começar o novo período de 12 meses com sorte e dinheiro, não tomei uma taça de espumante à meia-noite e nem nos primeiros minutos do dia 1º, como também li em alguma publicação esotérica, abri todas as janelas e acendi as luzes da casa a fim de que todos os ambientes ficassem iluminados. Confesso que me esqueci de fazer a selfie com a família na virada do ano.
Mas, apesar de ter contrariado as sugestões e conselhos para realizar no começo de 2015 para que ele se apresente novo e repleto de notícias boas, tenho fé de que os 12 meses deste ano, que já se encontra no dia 6 (nossa, como voa!), serão excepcionalmente diferentes e melhores para aqueles que realmente tiverem um olhar especial para eles. Porque as atitudes e o nosso pensamento deverão ser bem mais eficientes que simpatias para ajudar a iluminar o destino de cada um.
Para não ser totalmente avessa aos ensinamentos e dizeres populares, fui atrás de um que me encantava mais. Não dizem que quem canta seus males espanta? Pois resolvi terminar 2014 e iniciar 2015 cantando, totalmente desafinada e sem melodia, como só eu sei fazer. E extremamente feliz. Talvez deixando com uma certa dor de cabeça os familiares que estavam comigo na virada do ano. Mas que, espertamente, no outro dia, poderia ser atribuída aos excessos na bebida e na comida de ceia de Ano Novo, nunca aos graves e agudos desafinados que emiti nas mais de 20 músicas que teimei em cantar.
Ao cantar sucessos sertanejos bregas como “É o amor” (.. que mexe com minha cabeça e me deixa assim… que faz pensar em você e esquecer de mim), incríveis como “Escrito nas Estrelas” (.. você para mim foi um sol, de uma noite sem fim, que acendeu o que sou e renasceu tudo em mim…) ou “Mulheres”, o samba de Martinho da Vila (… já tive mulheres de todas as cores, de várias idades, de muitos amores….), coloquei todos os meus demônios e santos para fora. E decidi que, em 2015, só participarão da minha rotina, os demônios e santos que forem devidamente convidados. Nada de intrometidos! Porque eu quero assim. Porque eu mereço assim. E porque 2015 será diferente e melhor!

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