Tem gente que não consegue viver na cidade. Por outro lado, a cidade agrega por conceito.
Um lugar bucólico. Imagine um horizonte. 180 graus de horizonte acima da vista dos olhos. Você pensa que visualizou, mas não chegará aos pés da realidade. Trata-se de um passeio que fiz à Serra gaúcha, antes do Festival.
Lá, consegui esforçar o olhar em largos horizontes. E olhe que daqui onde estou, o horizonte já é bem amplo, para quem mora na cidade.
Esta cidadezinha, que opto por não dizer o nome – para deixá-la quieta – torna-se bem maior quando percebemos seus detalhes. Ela fica maior do que um planeta inteiro. Em uma varanda, não se sabe a quantos pés do vale, vi uma encosta à luz do dia. Tão farta em distâncias que um artista, feliz morador deste lugarzinho, conseguiu fotografar de lá a Usina do Gasômetro, em Porto Alegre, duas cidades depois. Duas senhoras, aquecidas por uma lareira, nos disseram: à noite, é um chão de estrelas… Suspiravam como quem dançasse sobre as luzes. Pode um lugar assim em nossos pagos, tchê?

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