Há bastante tempo escrevi aqui que meu amigo Carlos Knapp me mandara de Brasília um artigo publicado na imprensa e de cuja qualidade ele sabia que eu iria gostar, como gostei.
Como o artigo citava um sujeito que eu não conhecia, perguntei ao Knapp, que também ignorava. Escrevi ao articulista, fazendo a pergunta e o mesmo, bom de escrita, não recebera a mesma educação do que eu e não respondeu. Mais tarde, por acaso, descobrimos que se tratava de uma personagem do programa de TV, Casseta & Planeta, ao qual, Knapp e eu, nunca tínhamos assistido.
Essa lembrança ocorreu-me semana passada ao ler o mestre Verissimo, em O Globo, fazendo a defesa de um objeto que garante, ao telespectador, na maior comodidade, desvencilhar-se de um ou mais programas, ou mesmo desvencilhar-se de todos num determinado horário: o controle remoto.
Assim como ninguém é obrigado a ler uma revista ou um livro, ir ao teatro, ao circo ou ao cinema, enfim, como o leque de opções do que fazer, inclusive tricô, é quase infinito, os programas na TV variam de gêneros e de níveis. Ninguém é obrigado assistir a nada, como, por exemplo, preencher a papelada do imposto de renda, penitência compulsória. Exceto para os profissionais, TV não é obrigação.
Assim como o controle remoto oferece a comodidade de mudar de canal, ele também liga e desliga a TV. E nesse gesto reside uma conquista maior dos países livres, o direito de ver ou não ver na TV programas sem censura, sem moralismos, sem interferência de credos que se pretendem monitores da sociedade. Você decide e o controle remoto obedece.
Quando alguém acha ou pede que determinado programa seja proibido, exerce o execrável papel de um censor, das mais abjetas atividades quando exercidas ao arrepio dos direitos legais da cidadania. Assim como ir ou não a um cinema é exercício de liberdade, assistir ou não a um programa de TV também o é.
Qual a realidade por trás da indústria de TV? A audiência. Um programa só se mantém no ar se é visto por uma quantidade de espectadores que justifique os preços cobrados para a exibição de seus comerciais. Fora de um resultado econômico razoável, adeus, programa!
Para o leitor leigo, explico que o preço por segundo comercial cobrado ao anunciante de um programa está diretamente ligado à audiência do programa. E é por isso que o controle remoto determina a viabilidade ou não de um programa, ou seu custo para os anunciantes.
A audiência é uma eleição, e o controle remoto é o seu voto.
Vote certo.
Inté.
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