A Coojornal foi não só a maior cooperativa de jornalistas jamais formada no Brasil, como também o primeiro projeto de organização jornalística ampla que adotou a doutrina cooperativista como fundamento de sua atividade e procurou adaptá-la a uma práxis jornalística.
A frase que caracteriza com perfeição a Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre é de Bernardo Kucinski, em seu livro Jornalistas e Revolucionários, no qual considera nosso trabalho como uma das principais iniciativas de jornalistas nos anos 1970 no país. Foi realmente marcante, tendo a participação dos jornalistas como um ponto relevante.
O cooperativismo é um sistema que se situa no meio do caminho entre capitalismo e comunismo. Não há competição individual ou de luta de classes, tendo como ponto basilar o exercício da solidariedade, a saudável cooperação entre os envolvidos. A Coojornal navegou nesta premissa e levou os jornalistas a se conscientizarem sobre a importância de se organizar para que conseguisse de fato atingir um de seus objetivos essenciais, proporcionar emprego e renda aos associados.
E se ela foi exemplar, como destacou Kucinski, deve-se a uma circunstância basilar: navegando contra um pré-conceito vigente então, os jornalistas souberam se organizar e administrar seu trabalho. Há exemplos objetivos de que a organização deu o suporte essencial para que o projeto não fosse apenas mais uma aventura.
Tínhamos normas e regulamentos que foram sendo estabelecidos ao longo da jornada, e quando a cooperativa passou a ser determinante como geradora de renda para os profissionais da comunicação, criamos um manual para reger as normas de relacionamento dos associados com produção fixa. Estavam enquadrados nesta categoria aqueles que trabalhavam diariamente no ambiente da cooperativa, tendo nela sua única ou principal fonte de renda. Em seu melhor momento, no final dos anos 70, cerca de 100 profissionais estavam nesta situação.
Assim, estes cooperativados com produção constante recebiam uma remuneração fixa mensal a título de honorários. Não era salário, pois, como sócios do empreendimento, não havia relação de vínculo empregatício convencional a la CLT. Para os associados que atuavam como free-lancer, isto é, que produziam sem uma frequência determinada, havia tabelas transparentes e precisas.
Trabalhos em texto tinham como referência o equivalente a 20 linhas de 70 toques por matéria. A referência para o diagramador era a página diagramada. Fotógrafos eram remunerados a cada ação realizada, com diferentes valores para trabalhos na sede e no interior. Se na viagem atuasse também como motorista, recebia um adicional. Editores, redatores, profissionais da arte e da ilustração, todos tinham também suas orientações bem claras.
Na produção editorial, havia normas gráficas para o caso de cada publicação produzida para terceiros. Cada uma, claro, tinha sua característica bem definida, e um supervisor sempre vigilante a garantir a excelência de seu cumprimento – neste caso, o cara era o Jorge Polydoro.
Elmar Bones, o inspirador e editor principal do Coojornal, foi também quem se dedicou, junto com Polydoro, a estabelecer uma padronização da linguagem gráfica do Coojornal. Do noticiário e colunas às seções fixas, todos tinham seu padrão a facilitar a leitura e a fidelidade do leitor. Havia a determinação de tamanho para títulos, a forma de identificar o autor, sempre abaixo do título, o tamanho do texto? nada escapou de uma normatização que garantisse a fluência e a atração da leitura.

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