Democracia e participação, já registrei aqui mais de uma vez, estavam na essência da Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre. Tanto se estimulava a participação, e tanto se procurava envolver os associados na organicidade do movimento que houve um momento, no segundo semestre de 1978, que a Coojornal realizou duas assembleias em sábados consecutivos.
Os temas em pauta eram tão relevantes que precisaram ser desdobrados em dois encontros. O primeiro, convocado para 27 de agosto, destinava-se exclusivamente à reforma do estatuto. Somente no sábado seguinte, 2 de setembro, seria realizada a sessão ordinária encarregada de examinar o balanço da gestão e eleger os novos dirigentes da organização.
A atualização estatutária era indispensável. O modelo original da legislação cooperativista havia sido concebido basicamente para as entidades de produção agrícola. Já para a criação da Coojornal fora necessário promover diversas adaptações para ajustar o estatuto à realidade de uma cooperativa de jornalistas. A experiência acumulada nos primeiros anos de funcionamento mostrou que novas mudanças eram necessárias.
Entre os pontos em debate estava a duração dos mandatos da diretoria. Partiu de mim a proposta de reduzir o período de gestão de três para dois anos e, ao mesmo tempo, limitar a apenas uma reeleição consecutiva. A intenção era estimular a renovação das lideranças sem comprometer a continuidade administrativa da cooperativa.
Associado que quisesse apresentar propostas de alteração estava livre para isso. Havia apenas um condicionante: toda sugestão deveria ser previamente analisada por uma comissão formada por advogados associados à cooperativa e um técnico do Incra, o organismo estatal responsável na época pela fiscalização e orientação ao sistema cooperativista. Foi tranquila a assembleia, até porque as alterações propostas eram apenas de ordem técnica, dentro daquela ideia de enquadrar o estatuto de acordo com os interesses dos profissionais jornalistas e a atividade que desenvolviam.
Os dois encontros tiveram como cenário o histórico auditório do Sindicato dos Bancários, então na Galeria Malcon, centro de Porto Alegre. Frenética e movimentada mesmo foi a assembleia no sábado seguinte, que teve a recordista participação de 193 associados, 24 dos quais através de procurações. O relatório da diretoria, relativo ao período de 1º de agosto de 1977 a 31 de julho de 1978, junto com o balanço e a prestação de contas, mereceu a aprovação da maioria dos presentes.
Ali também foi aprovada a proposta de estabelecimento de honorários de gratificação para a diretoria: cinco salários mínimos para a presidência, quatro para a vice-presidência e três para a secretaria. Dos 193 votantes, apenas 12 se manifestaram contra. As sobras líquidas do exercício – o que seria “lucro” em uma empresa convencional -, no valor de R$ 20.252,29, foram destinadas para o Fundo de Reserva, conforme sugestão da diretoria aceita por todos.
A participação recorde dos associados foi motivada por dois temas centrais: a eleição da nova diretoria e a proposta de criação de um jornal semanal, que viria se somar ao mensário Coojornal entre as publicações próprias da cooperativa. Dois assuntos trepidantes, como veremos, e responsáveis pela alta adesão ao encontro.
(Segue na próxima coluna)


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