A Coojornal vivia um momento de vigor e expansão. E como organizações vivas raramente são unânimes, o crescimento estimulava disputas por espaços de comando, divergências quanto aos rumos a seguir e diferentes visões sobre o seu futuro. Cresciam as disputas por posições, em conflitos políticos internos que refletiam a intensidade da experiência que estávamos construindo.
A própria renovação da diretoria foi, pela primeira vez, objeto de disputa. E disputa acirrada, com campanhas nas redações e mesmo nos ambientes das faculdades de Comunicação. A eleição deixava de ser um simples processo de renovação administrativa para se transformar em um debate sobre os rumos da cooperativa.
Confrontavam-se dois projetos divergentes. A situação defendia a preservação do perfil essencialmente profissional da Coojornal, zelosa para com o relacionamento com os clientes e capaz de gerar trabalho, renda e oportunidades para seus associados. Do outro lado, articulou-se uma corrente que propunha uma atuação mais explicitamente política, com oposição aberta ao regime militar.
A situação venceu por 111 votos contra 77 da chapa de oposição. Ainda assim, foi uma vitória de sabor amargo, como registrei na coluna anterior. A disputa explicitou divergências que, longe de se encerrarem com a eleição, alimentaram uma prolongada luta interna pelo comando da cooperativa.
O desgaste foi profundo. Alguns dos profissionais mais talentosos acabaram se afastando, numa perda que se revelaria irreparável. Hoje me parece claro que foi ali, naquele setembro de 1978, que a trajetória da Coojornal começou a mudar de rumo. Paradoxalmente, quando alcançava um de seus momentos de maior força e prestígio, já surgiam os sinais do declínio que acabaria por conduzi-la a um triste final.
Mas, como registrei antes, quatro anos após sua criação a cooperativa vivia um momento de grande vitalidade. O desgaste que mais tarde se revelaria decisivo ainda não era perceptível para a maioria dos associados. Ao contrário, predominavam o entusiasmo, os projetos e a confiança no futuro.
O plano de trabalho apresentado pela diretoria eleita na assembleia de setembro de 1978 refletia esse espírito. Nele, afirmava-se que o jornalismo profissional receberia atenção prioritária, por constituir a base de todas as atividades da cooperativa, honrando a própria razão e objeto social da organização.
Este foco deveria ser direcionado tanto para os veículos próprios quanto para as demais áreas de atuação da cooperativa: as publicações especializadas, a agência de notícias, a fotografia e o setor de arte. E o objetivo bem claro estava centrado na tentativa de diminuir a diferença então existente entre o número total de associados e o contingente dos que efetivamente trabalhavam nela. Em outras palavras, ampliar as oportunidades de trabalho para que um número cada vez maior de cooperados pudesse viver da atividade que ajudara a construir.
Entendíamos que, quanto maior fosse o número de associados efetivamente produzindo, maior também seria sua participação nos destinos da organização. O entusiasmo daquele momento e o retrospecto positivo da Coojornal nos levaram a sonhar alto.
No plano de intenções da nova diretoria figuravam projetos ambiciosos, como a aquisição de uma sede própria, a ampliação do departamento industrial e a criação de um jornal semanal. A dura realidade encarregou-se de dar destinos distintos a cada uma dessas iniciativas: a sede própria jamais saiu do papel; a expansão do setor industrial revelou-se um êxito; e o semanário, apesar das expectativas que despertou, não completou um ano de existência.


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