Aquele episódio da maldita reunião no comando do III Exército pode ser considerado um marco do terror que se alastrava. Desde então as pressões sobre eventuais anunciantes e tomadores de serviço da cooperativa só aumentavam, lenta e gradualmente, como diria o general Geisel. No caso especial do Ano Econômico, não conseguimos ir avante com a tentativa de editá-lo, tantas as negativas recebidas pela equipe comercial.
O anuário fora um lance editorial corajoso que se revelara muito importante do ponto de vista financeiro. E importante também como forma de fortalecer o prestígio da cooperativa junto à sociedade, no caso, especialmente junto a anunciantes e empresários. Houve um engajamento forte da equipe e o resultado das duas primeiras edições fora altamente compensador, tanto do ponto de vista editorial como comercial.
Mas as dificuldades políticas acabaram falando mais forte, e para que a publicação não deixasse de circular decidimos alienar o título. Seria também uma boa alternativa de arrecadação de recursos que começavam a rarear. O produto era bom e não foi difícil encontrar a solução: o Grupo RBS se interessou, avaliou os números e decidiu assumir sua edição, com o entusiasmo do diretor Comercial da época, o competente Madruga Duarte.
Foi o que aconteceu em outubro de 1981, quando circulou a edição com a marca RBS e, em vez do presidente da Cooperativa dos Jornalistas, quem assinava o editorial era o presidente do grupo, Maurício Sirotsky Sobrinho. A empresa, que à época se identificava como Rede Brasil Sul de Comunicações, estava em um processo acelerado de crescimento, avançando sobre os nichos da rival Caldas Jr., que não por acaso encerraria as atividades dois anos depois.
Neste ambiente altamente competitivo, o Ano Econômico foi considerado inexpressivo demais como contribuinte para o bolo de receita empresarial, o que levou a RBS a desistir de sua publicação. Um erro grosseiro, do qual se arrependeria muito logo depois, pois abria mão de uma publicação respeitada e influente no meio empresarial.
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Coletiva.net publica esta semana o perfil do Luiz Cláudio Cunha, aqui. Ele foi um dos fundadores da Coojornal e integrou sua primeira diretoria como vice-presidente. Na entrevista declara com ênfase: “É um dos orgulhos da minha vida”, por tratar-se de um bravo órgão da mídia alternativa de oposição à ditadura. Como já relatei em coopítulo anterior, Luiz Cláudio assinava a coluna ‘Perdão, Leitores’, uma das mais lidas do Coojornal por sua crítica inteligente e ácida ao noticiário da imprensa, em uma livre inspiração na coluna ‘Jornal dos Jornais’, que Alberto Dines assinava semanalmente na Folha de S.Paulo. Luiz Cláudio tem uma rica e vitoriosa trajetória no jornalismo brasileiro, que está devidamente registrada neste texto do Coletiva.


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