Colunas

Coopítulo 25 – Reunião maldita

Por José Antonio Vieira da Cunha

Aquele episódio da maldita reunião no comando do III Exército pode ser considerado um marco do terror que se alastrava. Desde então as pressões sobre eventuais anunciantes e tomadores de serviço da cooperativa só aumentavam, lenta e gradualmente, como diria o general Geisel. No caso especial do Ano Econômico, não conseguimos ir avante com a tentativa de editá-lo, tantas as negativas recebidas pela equipe comercial. 

O anuário fora um lance editorial corajoso que se revelara muito importante do ponto de vista financeiro. E importante também como forma de fortalecer o prestígio da cooperativa junto à sociedade, no caso, especialmente junto a anunciantes e empresários. Houve um engajamento forte da equipe e o resultado das duas primeiras edições fora altamente compensador, tanto do ponto de vista editorial como comercial.

Mas as dificuldades políticas acabaram falando mais forte, e para que a publicação não deixasse de circular decidimos alienar o título. Seria também uma boa alternativa de arrecadação de recursos que começavam a rarear. O produto era bom e não foi difícil encontrar a solução: o Grupo RBS se interessou, avaliou os números e decidiu assumir sua edição, com o entusiasmo do diretor Comercial da época, o competente Madruga Duarte.

Foi o que aconteceu em outubro de 1981, quando circulou a edição com a marca RBS e, em vez do presidente da Cooperativa dos Jornalistas, quem assinava o editorial era o presidente do grupo, Maurício Sirotsky Sobrinho. A empresa, que à época se identificava como Rede Brasil Sul de Comunicações, estava em um processo acelerado de crescimento, avançando sobre os nichos da rival Caldas Jr., que não por acaso encerraria as atividades dois anos depois.

Neste ambiente altamente competitivo, o Ano Econômico foi considerado inexpressivo demais como contribuinte para o bolo de receita empresarial, o que levou a RBS a desistir de sua publicação. Um erro grosseiro, do qual se arrependeria muito logo depois, pois abria mão de uma publicação respeitada e influente no meio empresarial.

***

Coletiva.net publica esta semana o perfil do Luiz Cláudio Cunha, aqui. Ele foi um dos fundadores da Coojornal e integrou sua primeira diretoria como vice-presidente. Na entrevista declara com ênfase: “É um dos orgulhos da minha vida”, por tratar-se de um bravo órgão da mídia alternativa de oposição à ditadura. Como já relatei em coopítulo anterior, Luiz Cláudio assinava a coluna ‘Perdão, Leitores’, uma das mais lidas do Coojornal por sua crítica inteligente e ácida ao noticiário da imprensa, em uma livre inspiração na coluna ‘Jornal dos Jornais’, que Alberto Dines assinava semanalmente na Folha de S.Paulo. Luiz Cláudio tem uma rica e vitoriosa trajetória no jornalismo brasileiro, que está devidamente registrada neste texto do Coletiva

Autor

José Vieira da Cunha

José Antonio Vieira da Cunha atuou e dirigiu os principais veículos de Comunicação do Estado, da extinta Folha da Manhã à Coletiva Comunicação e à agência Moove. Entre eles estão a RBS TV, o Coojornal e sua Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre, da qual foi um dos fundadores e seu primeiro presidente, o Jornal do Povo, de Cachoeira do Sul, a Revista Amanhã e o Correio do Povo, onde foi editor e secretário de Redação. Ainda tem duas passagens importantes na área pública: foi secretário de Comunicação do governo do Estado (1987 a 1989) e presidente da TVE (1995 a 1999). Casado há 50 anos com Eliete Vieira da Cunha, é pai de Rodrigo e Bruno e tem cinco netos. E-mail para contato: [email protected]
Compartilhar:

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.