Brizola, Jango e o trabalhismo receberam muitas atenções da redação do Coojornal porque faziam História, registrei no coopítulo anterior. No entanto, a relação com o ex-governador gaúcho foi longe de ser amistosa e teve muitos sobressaltos e incompreensões. Em dezembro de 1978, em sua 35ª edição, o mensário trazia mais uma reportagem histórica, que teve ampla repercussão nacional. “Este homem quis incendiar o país” era a manchete a partir do depoimento do coronel Jefferson Cardin Osório, líder do movimento de resistência ao golpe militar de 1964 que tinha como ponto de partida a tomada do município de Três Passos, no norte do Rio Grande do Sul.
O ex-coronel do Exército e o ex-sargento da Brigada Militar Alberi Vieira do Santos falaram com exclusividade ao Coojornal sobre os detalhes da operação que envolveu 23 guerrilheiros, quase uma espécie de exército Brancaleone, que acabaram presos por tropas do Exército quando entraram no Paraná. Entre as revelações bombásticas feitas pelos dois combatentes, Brizola era geralmente o centro, visto que, segundo ambos, ele era o organizador do plano que pretendia dar um contragolpe ao governo militar. Estavam ressentidos: declararam que, na hora decisiva, sentiram-se isolados porque Brizola recuou. “Ele era o chefe”, disse Jefferson, com Alberi acrescentando a pimenta: “Ele era o responsável político pelo movimento. Mas depois, quando fracassou, ele fez uma nota dizendo que não tinha nada com isso”.
O ex-governador gaúcho e carioca não gostou da abordagem feita pela dupla e menos ainda por terem afirmado que o movimento era apoiado por Cuba, que teria enviado um milhão de dólares – dos quais 500 mil teriam ficado com Brizola.
Os exilados no Uruguai em 1965 estavam divididos em dois grupos, contra ou a favor da luta armada, registrou o historiador Décio Freitas em artigo especial para o Coojornal, publicado naquela mesma edição 35. “Os partidários da luta armada, congregados em torno da figura prestigiosa do ex-governador Leonel Brizola, preponderavam de maneira incontrastável”, escreveu Décio, ao refletir sobre “o mito da guerrilha” e a divisão dos exilados em Montevidéu.
A repercussão do trabalho do Coojornal foi imediata e ruidosa. Em 19 de dezembro, um dia após circular, Jornal do Brasil, Folha de S.Paulo e Estadão, entre outros, seguiram atrás. Deram suítes ao tema entrevistando personagens destacados na época, entre eles o próprio Décio e o escritor Josué Guimarães. Ambos próximos ao ex-governador, negaram a oferta dos dólares cubanos. Também procurado pela imprensa, Darcy Ribeiro, outro personagem histórico, considerou “estranhas” as declarações do ex-coronel.
A todos os desmentidos e críticas apontados depois pelos que se referiam à reportagem, o Coojornal foi mais uma vez seguro e convicto em relação à correção do trabalho. Em editorial, pontuou: “Ninguém precisa ter medo de ser responsabilizado pelas declarações do coronel Jefferson ou por sua publicação. Ele responde por sua parte, ratificando tudo o que disse. Nós respondemos pela nossa, assumindo todo o ônus de ter publicado as suas opiniões. Nós temos medo de muitas coisas, mas a verdade não está entre elas”. Ponto final.
Adiante haveria outra grande reportagem histórica sobre a guerrilha de Caparaó e um pretenso envolvimento de Brizola, que, mais uma vez, ficou incomodado com o que leu. Mais tarde, em julho de 1992, o Jornal do Brasil publicou a síntese de uma tese universitária que abordava, como o Coojornal fizera, o movimento e a participação dele que, como antes, também não gostou nem um pouco do que leu. “Eu não assumo o episódio porque realmente não foi da minha iniciativa”, ele disse, acrescentando que estava desconfiado que o autor da matéria do JB teria sido repórter do Coojornal, “um jornalzinho”, em suas palavras, “cuja razão de existência foi intrigar o Brizola”.
E assim se fazia História…
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Ex-vereador, ex-deputado, ex-ministro, ex-governador e ex-senador, este é Pedro Simon, um personagem da história brasileira, que respeito e admiro. Está vivendo estes dias mais uma tragédia pessoal, com a morte de seu filho Tomaz. Impossível mensurar a dor que agora sente com a ausência do Tomaz, com quem tive uma relação muito legal desde o final dos anos 80, quando estivemos juntos em uma jornada aos Estados Unidos, que incluiu Nova Iorque e Indianápolis. Ele tinha menos de 18 anos, e outro dia inclusive enviei-lhe uma foto daquele período, que ele logo postou na rede social. Era um cara que eu admirava muito por sua postura e comportamento. Lamento mais esta ingratidão da vida.



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