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Coopítulo 30 – Teses divergentes

Por José Antonio Vieira da Cunha

Idealizei realizar esta narrativa sobre a Cooperativa dos Jornalistas e seu trabalho quando identifiquei que o assunto Coojornal deixou de ser demandado com frequência por pesquisadores e universitários, como ocorreu até o final do século 20, para se transformar num poço de águas adormecidas nos dias que correm. Até cerca de 10 anos, eram comuns os pedidos de alunos de Comunicação – às vezes, também colegas jornalistas – por informações e detalhes sobre o jornal e a cooperativa que marcaram época. Nos últimos anos, pandemia à parte, este interesse escasseou e praticamente desapareceu.

Como frutos daquelas pesquisas são incontáveis, não duvide, os trabalhos realizados nas escolas de Comunicação tendo como tema o Coojornal. Há até um estudo de doutorado apresentado na Université de Droit, Deconomie et de Sciences Sociales de Paris. A tese foi desenvolvida por Linda Bulik no Institut Français de Presse et des Sciences de L’Information, que analisava as doutrinas de informação no mundo atual – no caso, o do final da década de 70.

Quem é Linda Bulik? Não tenho a menor ideia, mas certamente teve alguma influência de Sérgio Caparelli, que durante algum tempo estudou na França e tem um de seus livros citado na bibliografia reunida pela autora da tese. Ou quem sabe a influência veio de Zélia Leal, que durante algum tempo foi professora universitária por lá. Então, muito provavelmente a partir de alguma dica de um destes associados, o Coojornal de Porto Alegre acabou reconhecido em Paris. 

Muitas das teses desenvolvidas aqui na província têm o inegável mérito de reunir documentos, atas, regimentos, leis sobre cooperativismo, histórias e entrevistas de personagens que viveram a Coojornal. Conseguem reproduzir relatos muito verdadeiros, de associados detalhando, por exemplo, o funcionamento dos conselhos de redação, de edição e de fotografia que davam dinamismo ao trabalho na cooperativa. 

Tenho aqui comigo uma meia dúzia destas teses, e o interessante é que, se reproduzem com riqueza de detalhes a organicidade da empresa singular criada por um grupo de jornalistas, há rara convergência entre seus autores em relação ao fim da história. Um destes trabalhos, inclusive, conclui questionando que a escolha dos jornalistas pioneiros foi errada. Isto é, que deveriam ter optado por uma empresa convencional, com o que, segundo a autora, a administração do negócio seria mais profissional. 

As versões tratam do mesmo tema, mas divergem na conclusão. Mesmo assim, ou por isso mesmo, é uma lástima que a grande maioria destes trabalhos acadêmicos tenha se perdido por aí.

Autor

José Vieira da Cunha

José Antonio Vieira da Cunha atuou e dirigiu os principais veículos de Comunicação do Estado, da extinta Folha da Manhã à Coletiva Comunicação e à agência Moove. Entre eles estão a RBS TV, o Coojornal e sua Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre, da qual foi um dos fundadores e seu primeiro presidente, o Jornal do Povo, de Cachoeira do Sul, a Revista Amanhã e o Correio do Povo, onde foi editor e secretário de Redação. Ainda tem duas passagens importantes na área pública: foi secretário de Comunicação do governo do Estado (1987 a 1989) e presidente da TVE (1995 a 1999). Casado há 50 anos com Eliete Vieira da Cunha, é pai de Rodrigo e Bruno e tem cinco netos. E-mail para contato: [email protected]
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