Então a Coojornal começou a operar de fato, com três publicações: o Jornal do Inter, que era de sua propriedade e não do Internacional, como se imagina num primeiro momento, o jornal Surpresa, para Elevadores Sur, e o boletim informativo BIU, da Companhia União de Seguros. Os três vieram naquela operação de compra de direitos de edição, e foram o embrião estimulador de uma vertente que se solidificou na cooperativa – a dedicação à edição e publicação de jornais, boletins e revistas para empresas, entidades, organizações em geral, um segmento que se revelou altamente positivo para ajudar a cooperativa a se fortalecer e capitalizar.
A excelência editorial e a qualidade gráfica eram princípios inarredáveis em tudo o que se fazia ali. Afinal, era uma organização de jornalistas, que como tal não poderia deixar de produzir produtos que orgulhassem seus realizadores. Neste início de atividades, dois profissionais foram essenciais para o alcance deste estágio de excelência: Elmar Bones da Costa e Jorge Polydoro. Elmar, que todo mundo conhece por Bicudo, era o editor, profissional então com pouco mais de 30 anos mas já com uma extensa carreira em veículos como a Veja, onde foi um dos integrantes de sua primeira redação, no final dos anos 60, e a Gazeta Mercantil, da qual era seu diretor regional. Polydoro havia cursado alguns semestres na Faculdade de Arquitetura e tinha um talento nato para a criação gráfica, respondendo pelos projetos de todas as publicações, do Jornal do Inter à revista Agricultura & Cooperativismo, editada para a então poderosa Fecotrigo. Qualquer jornal ou revista produzida pelos cooperativados não deve nada, em estilo de texto e qualidade gráfica, ao que se faz hoje, nos anos 20 do século 21.
Polydoro tinha outro talento, este na área comercial, paradoxalmente oposto ao da criação, mas que exercia também com igual dedicação e sucesso. Era ele que liderava o processo de buscar potenciais clientes para a área de publicações editoriais. Aos poucos a cooperativa foi crescendo, com associados passando a ter nela uma fonte de renda segura, pois chegou um momento, por volta de 1978, em que a Coojornal editava cerca de 30 publicações para terceiros. Este e outros braços, como a Agência de Notícias Coojornal, garantiam uma remuneração para uma centena de cooperativados – repórteres, redatores, editores, fotógrafos, diagramadores –, muitos deles tendo nela sua principal fonte de renda.
Sim, tivemos uma agência de notícias, e dela ainda vai-se falar, que tinha entre seus clientes o Jornal de Brasília, a revista IstoÉ (a verdadeira, aquela dirigida por Mino Carta, longe do pastiche atual) e o jornal Meio e Mensagem, respeitado até hoje no meio publicitário. Como associados, e portanto donos do negócio, a forma de remuneração era o pró-labore.
Este é um grande diferencial, muitas vezes incompreendido, daquela entidade criada por profissionais da imprensa. Eles eram, antes de tudo, empreendedores, e acreditavam fielmente naquela jornada que estavam construindo. Uma jornada que trouxe muitas vitórias, incontáveis alegrias, e alguns desencantos e decepções, como não seria diferente em uma organização que reúna pessoas questionadoras e muitos jovens idealistas.
Vamos falar muito ainda sobre isso.
***
Passo a numerar as colunas a partir de agora para atender a pedidos de queridos leitores que explicitaram temer perder parte da história. O mais incisivo deles é o Luiz Cláudio Cunha, que foi vice-presidente na composição da primeira diretoria, em 1974. Era diretor da sucursal da Veja naquela época, o que não o impedia de ser um companheiro sempre presente e atuante nas decisões da cooperativa. “Presidente, bota um número nas matérias. Como elas formam uma série, que espero longa e deliciosa, é bom ordenar tudo para, no final, formar um bloco, que possa ser arquivado por todos interessados na história”, escreveu ele logo após a publicação da primeira coluna. Como o pedido não foi atendido na semana seguinte, insistiu: “O relato está cada vez melhor e mais emocionante. Mas, continua faltando a numeração da série”, cobrou. Ok, Luiz Cláudio, você venceu. E ouso criar um neologismo, o Coopítulo, um capítulo cooperativo. Perdão, leitores, como dizia o mesmo Luiz Cláudio.

No logo da Cooperativa, um visual sempre moderno


*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial