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Decretamos falência

O encerramento da temporada de 2025 trouxe alívio, sem motivos de comemorações, para a dupla Gre-Nal. Um lado ficou com o prêmio de consolação da vaga na Sul-Americana, o outro com a garantia de que não vai jogar a Série B no próximo ano. Muito pouco para as grandezas dos clubes, muito aquém do que as torcidas esperam e merecem. O nosso futebol está falido. Vai se recuperar? As perspectivas parecem ser cada vez piores.

O termo “falência” é ligado a fatores financeiros. No caso de Grêmio e Inter a falência se refere a muito mais, refere-se às gestões, deficientes e preocupadas com questões secundárias nos últimos anos, que nada têm a ver com futebol e que só fizeram com que ficássemos menores nos cenários nacional e internacional. A política é o principal pecado cometido pelas direções.

Os colorados depositaram muitas esperanças na eleição e na reeleição de Alessandro Barcellos. Acreditaram que o projeto apresentado poderia tirar o clube de uma fila gigantesca de títulos de maior expressão. O que o presidente mostrou em seus mandatos, no entanto, foi uma redução gradativa do próprio projeto que o fez ser eleito duas vezes. Onde se prometia uma instituição comandada por executivos, como se fosse uma empresa, se viu a cada resultado ruim no campo os movimentos políticos ganharem mais espaço até que a máquina corroeu.

O mesmo aconteceu na Arena. Alberto Guerra demonstrou ter um perfil de líder voltado para ajeitar a casa administrativamente quando fez campanha para conseguir os votos dos sócios tricolores. Na prática pouco funcionou da maneira adequada. A bagunça chegou a tomar conta em alguns momentos da gestão, mesmo com um conselho de administração formado por renomados empreendedores do Estado. Entre eliminações e fiascos os dois presidentes terminam 2025 em baixa com todos. Quase unanimidade de desaprovação dos seus mandatos.

O pior é que a história da dupla Gre-Nal evidencia que os caminhos deveriam ser muito diferentes. Quando chegaram aos grandes títulos de Brasileirões, Libertadores, Copas do Brasil e Mundiais, os dois praticamente eliminaram interferências políticas. Arthur Dallegrave, Fábio Koff, Fernando Carvalho, Romildo Bolzan Jr., entre outros nomes, pacificaram os movimentos políticos internos antes de iniciar as suas fases de conquistas. Por que não se consegue isso agora? Muito pelo contrário. A convergência é cada vez mais distante no ambiente dos clubes.

Essa realidade, infelizmente, não cria esperança de que uma SAF, por exemplo, possa salvar gremistas e colorados. Se fosse implantado algum modelo de negócio semelhante amanhã, o caos político e os estatutos atuais impediriam que ela desse certo. A distância para os gigantes Flamengo e Palmeiras só vai aumentar, os investimentos em contratações serão cada vez mais raros e com menos chances de dar certo, enfim, a vontade de chorar ao ver os times entrando em campo será frequente.

A solução passa por uma virada geral de chave. Que chegue alguém com coragem para enfrentar a política na Arena e no Beira-Rio ao ponto de anular qualquer interferência negativa no futebol. O problema é: quem faria isso? A esperança só diminui.

Autor

Rafael Cechin

Jornalista graduado e pós-graduado em gestão estratégica de negócios. Atua há mais de 25 anos no mercado de comunicação, com passagem por duas décadas pelo Grupo RBS, onde ocupou diversas funções na reportagem, produção e apresentação, se tornando gestor de processos e pessoas. Comandou o esporte de GZH, Rádio Gaúcha, ZH e Diário Gaúcho até 2020, quando passou a se dedicar à própria empresa de consultoria. Ocupou também, do início de 2022 ao final de 2023, o cargo de Diretor Executivo de Comunicação no Sport Club Internacional. Atualmente mantém a própria empresa, na qual desde 2021 é sócio da Coletiva,rádio, e é Gerente de jornalismo e esporte da Rádio Guaíba.
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