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Deliciosos umbigos

Por José Antônio Moraes de Oliveira

O florentino Sandro Botticelli pintou ‘O Nascimento de Vênus’ entre 1482 e 1485 e se tornou um ícone incontornável do Renascimento Italiano. É uma das obras mais requisitadas na Galeria Uffizi, em Florença. Para o crítico Johann Joachim Winckelmann, representa a eterna busca pelo corpo feminino perfeito, que tem produzido belíssimas representações em telas, pedras e mármores. Uma busca que vem desde os tempos paleolíticos, passa pelas afrodites gregas até à icônica Vênus de Milo e à deliciosa visão de Botticelli.

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Na Itália, o umbigo feminino aparece com insistência tanto na pintura como na escultura. Já foi inspiração para pintores e escultores e motivou poetas como Gabriele D’Annunzio, que replica antigas lendas gregas quando descreve o nascimento de Vênus como o encontro da concha marinha com a espuma do mar. 

E seria na Umbria italiana que aparece mais uma bela homenagem ao corpo da mulher. O tortellini, a mais tradicional massa da região, reproduz literalmente o umbigo de Vénus. Segundo as lendas, aconteceu no vilarejo de Castelfranco, entre Bolonha e Modena, onde um estalajadeiro tem sonhos eróticos com a Vênus de Botticelli. Acorda, desce à sua cozinha e inspirado pela visão da deusa desnuda, modela a massa em forma de umbigo. Nascia o tortellini.

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Também a indústria do Cinema não poderia deixar de prestar sua homenagem ao umbigo feminino. Em 1966, lança ‘Mil Séculos antes de Cristo’, com a sensualíssima Raquel Welch desfilando em um mini-biquíni de peles, com seu umbigo à mostra. Faz sucesso e ela voltaria em comédias e filmes de ação, sempre exibindo o umbigo de Vênus. 

No entanto, foi o talentoso Blake Edwards que replicou no cinema a clássica cena de Vênus nascendo das águas em uma concha. No filme ‘Mulher Nota Dez’ de 1979, ele faz a atriz Bo Derek emergir do mar em um maiô colado ao corpo. Além de deixar o ator Dudley Moore mais aturdido do que nunca, a cena transformou Bo Derek em símbolo sexual instantâneo e inesquecível. Mas, para infelicidade geral, a réplica ficou incompleta, pois Bo Derek recusou usar o biquíni branco de Raquel Welch e não exibiu seu umbigo.

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Autor

José Antônio M. de Oliveira

O colunista é um veterano jornalista e publicitário. Assina uma coluna no Coletiva desde 2005. Foi repórter e redator nos jornais A Hora, Jornal do Comércio, Folha da Tarde e Correio do Povo. Como publicitário, atuou na MPM Propaganda nas sedes de Porto Alegre, do Rio de Janeiro, de São Paulo e também em Nova York, durante o convênio MPM / N.W.Ayer Advertising. Criou e redigiu comerciais e anúncios para Ipiranga, Renner, Banco do Brasil, Embratur, I Love New York, Pan American World Airways e American Airlines. Diretor de Comunicação do Grupo Iochpe, foi co-fundador do CENP, a entidade de normas éticas para anunciantes e agências de publicidade. Em 2021 publicou o livro de memórias ‘Entre Dois Verões’ – já esgotado – contendo 30 crônicas sobre sua infância nos campos do Sul e na Porto Alegre dos anos 50. Agora, volta à cidade em seu segundo livro, ‘Um Rio Portas Adentro’, onde registra e relembra as grandes cheias que assolaram a cidade em 1941 e 2024 e presta tributo a algumas das personagens mais singulares e sedutoras que agitaram Porto Alegre em seus anos dourados. E-mail para contato: [email protected]
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