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Desenhadores da comunicação

Mantendo a discussão e o debate sobre os termos da profissão, deparei-me com tal definição (na época apenas mal traduzida do espanhol para o …

Mantendo a discussão e o debate sobre os termos da profissão, deparei-me com tal definição (na época apenas mal traduzida do espanhol para o português) desenhadores da comunicação para o que quer que seja “designer gráfico”. De um erro, porém, o conceito desliza como uma luva em mãos delicadas. Afinal, a definição do Icograda (Conselho de Associações de Design Gráfico) diz tudo: A tarefa do Designer Gráfico é a de proporcionar as respostas corretas aos problemas de comunicação visual de qualquer ordem em qualquer setor da sociedade. Só que nós, desenhadores da comunicação (adorei), dispensamos até mesmo a palavra “visual” de tal definição. Desenhados, os produtos têm origem em idéias antevistas, que, no entanto, quando fabricados fazem parte do existente em todos os sentidos. Não são somente vistos. São assimilados.

E por falar em assimilação, aí vai um bom exemplo de desserviço às boas intenções: na chamada “Arvorismo indoor no Barra Shopping Barigüi”, que li em um jornal do centro do país, a matéria falava de um esporte novo que (só podia) surgiu na Nova Zelândia, baseado na ação de ecologistas franceses (sempre eles) em protestos contra a derrubada de florestas.

Na descrição do evento, a notícia citava a existência de um circuito batizado de Arventura que consiste em transpor trajetos através de cabos, torres de aço, tambores, arcos, pontes e até bungee trampolim.

Ora, arvorismo é para ser a coisa mais poética do mundo, certo? Imagina-se que as pessoas percorram caminhos entre árvores, movimentando-se como macacos, em seu habitat natural. Aí, vem alguém no planeta e inventa a traquitana indoor. O curioso é que, além de não citar árvores, ainda inclui um equipamento (denominado mosquetão) que prende o pobre atleta a um cabo de aço com o qual deve cumprir o trajeto em 15 minutos. Divulgando o “esporte”, um “Tarzan Fashion”, associando tal onda radical à moda.

Se os ecologistas franceses imaginassem tais desdobramentos, tinham ficado no chão.

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Autor

Clo Barcellos

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