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Dindin, dois pra Light um para mim

Zurique, apesar do tráfego movimentado da mais populosa cidade suíça, mantém o transporte de  bondes em suas ruas. Lamento não haver mais bondes nos …

Zurique, apesar do tráfego movimentado da mais populosa cidade suíça, mantém o transporte de  bondes em suas ruas.

Lamento não haver mais bondes nos trilhos do Brasil. Lamento mais saber que grandes cidades não conseguiram organizar seus trânsitos sem o sacrifício do transporte elétrico de superfície, ou seja, um transporte limpo, verde.

O pior é que cidades sem maiores problemas desdenham aquele que é um transporte simples, econômico, limpo e eficiente.

Se São Francisco pode, se Zurique pode, se, por exemplo Milão, com a mesma população  de Porto Alegre pode, qual o motivo da capital gaúcha haver eliminado o bonde sem criar o transporte subterrâneo?

Se a gente consultar a história do metrô no mundo e ficar sabendo que o de Londres foi inaugurado em 1863, possui hoje 408 quilômetros e 275 estações, fica boquiaberto com os quase 40 anos que separam o pioneiro com seus primeiros sucessores, Paris  (1900) e Nova York (1904).

Acontece que desde sua inauguração o metrô londrino era movido a vapor e com um sistema de exaustão precário. O século XX inaugurou o metro(politano) elétrico tanto para Londres como para todos os outros que foram implantados..

Daqui a seis anos, Buenos Aires, a primeira cidade da América Latina a implantar o metrô, completará o centenário do seu underground.

Buenos Aires é um exemplo claro para as cidades que cresceram e que, por falta de visão, de dinheiro, ou de ambos, estacionaram no tempo e perderam o bonde da modernidade.

Espero que os oftalmologistas me deem razão, mas por puro instinto defendi minha visão e  jamais li em  ônibus ou automóvel.

Os bondes paulistanos e seus cartazetes foram minhas primeiras bibliotecas e precederam os livros escolares e, depois, os jornais.

Estes, não muito depois, enviavam por Joel Silveira e Rubem Braga, da Itália, notícias de nossos soldados nos campos da batalha da Itália. A tomada do Monte Castelo colocou uma medalha virtual no peito de cada expedicionário brasileiro.

Na mesma época, da Ilha do Governador, no Rio, a cearense Rachel de Queirós pacificava nossas almas com notícias de um mundo civilizado.

De Paquetá, Vivaldo Coaracy exportava para São Paulo a calma necessária a uma cidade que não podia parar e proclamava, nos cartazetes dos bondes: “São Paulo, a maior cidade industrial da América Latina” mas, prudente, também, alertava: “Prevenir acidentes é dever de todos”.

Essa leitura dos periódicos transformava o tempo nos bondes em tempo útil.

Naquela época, quem se sentava em qualquer bonde brasileiro, sentava-se ao lado de um “belo tipo faceiro” que quase morrera de bronquite e fora salvo pelo Rum Creosotado.

Naquela São Paulo pré-televisão e na qual o anúncio chamava-se “reclame”, muitas emissoras de rádio disputavam a liderança da audiência, mas uma delas se destacava pela criatividade: “PRG9 Rádio Excelsior de São Paulo, o maior auditório do Brasil, uma poltrona em cada lar”.   

As cidades cresceram, os bondes sumiram e, com  eles, as possíveis horas de lazer perdidas no caos urbano.

Não sou um nostálgico, apenas uma vítima, no Rio de Janeiro, como milhões e milhões de outros cidadãos num mundo onde sobram pessoas e faltam transportes inteligentes.

Aos nostálgicos do bonde indico remédios domésticos: linhas de Santa Teresa, no Rio e do Parque do Taquaral, em Campinas), onde nasci.

Há ainda linhas turísticas em Santos e em Campos do Jordão, além de uma linha útil, de sete quilômetros, escondida nos meandros de Bertioga, SP.  

Na Suiça, há em Zurique um bonde tipo circular que, além de transporte popular, oferece uma bela visão urbana para o viajante que chega.

Inté.

Vitrine:

Eduardo Almeida – São Paulo/SP/Brasil. 18/07/2011

Ou macacos deteriorados? – “Amei esta viagem na casca da banana. Única observação, que não sei se verídica, mas me parece que esta pequena diferença no DNA ser a responsável do macaco ainda não ter perdido a principal característica de sobrevivência de uma raça que é o pensamento coletivo em pró de seu bando ou grupo social. É bem verdade que ele não conhece o valor do dinheiro. Abração e parabéns Mario, por mais esta divertida oportunidade. EDU”

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Autor

Mario de Almeida

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