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Real Engº: ouçam o meu silêncio. (M.A.) Quando estávamos todos? Não importa quando. Importa muito era a sensação de segurança tão grande que a …

Real Engº: ouçam o meu silêncio. (M.A.)

Quando estávamos todos?

Não importa quando. Importa muito era a sensação de segurança tão grande que a gente nem percebia. Mas ela estava lá, impedindo momentos de insegurança.

O futuro não era uma coisa desconhecida, era uma certeza de chegada, fosse num dia ou em muitos anos. Avós e pais ao alcance das mãos eram certezas de que a gente iria adquirir a mesma ou mais sabedoria.

Tudo estava tão certo como uma mesa já posta, apenas esperando os comensais.

Não havia o que temer, a plataforma para o futuro estava plantada sobre bases sólidas.

A surpresa, como toda surpresa, veio de forma imprevista. E trágica. Não deveria se perder um ente sem um prévio aviso, um pequeno sinal, um sinal de alerta.

Então, pela primeira vez, compreendeu que o futuro, se houvesse, seria uma soma de imprevistos e, se previsto, uma soma de perdas.

Entendeu, afinal, que, além da chegada e da saída, as verdades são precárias. Há o momento, aprendeu, há apenas os momentos. Cuidar, ficar atento à vida que escorre é a lição da trajetória.

Depois de tantas perdas, havia que cuidar do que não foi perda. Como um mendigo que recolhe as poucas moedas de um chapéu roto, percebeu que a vida lhe ensinara a fazer do essencial a sua fortuna.

Estava na hora de se despedir do que sobrara com um brinde simbólico em uma taça de champagne ainda borbulhante.

Inté.

 

Vitrine (comentários da coluna anterior)

Grande Mário!

Tão bom reencontrá-lo, na melhor forma, nesse inspirado “Jânio, Gagarin e Guillén”.

Creio que não o vejo há tantos anos quantos não vejo também o Jatobá, propiciador deste reencontro.

Vi sua foto e li seu artigo. V. está muito mais jovem do que em nossos papos-cabeça no Antonio´s.

Tenho ido muito pouco ao Rio. Quase nada.

Na verdade, tenho ido pouco a lugares a onde eu ia muito (um dia eu lhe conto).

Porisso não vou assinar promissória de cigano, prometendo ir ao lançamento do seu livro, mas, se V. me informar o título, irei procurá-lo nas livrarias de S. Paulo, onde vivo desterrado.

Daí, indo ao Rio, tomarei seu indispensável autógrafo; e tomaremos, com Jatobá, o que mais lhe apeteça.

Enorme, afetuoso e saudoso abraço do velho Rodrigo.

 

Meu querido Mario, que beleza a coluna. Lembranças maravilhosas. Há quanto tempo que não ouvia referência nenhuma a Nicolás Guillén. Lembro-me muito do final dos anos 50 quando, no IAPB, – Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Bancários – participava de uma célula do antigo e tradicional PCB (que era o verdadeiro PC do B, filiado à Internacional), tive a ventura de ver Apolonio Carvalho – o grande participante do movimento Maquis, condecorado por De Gaulle como  Herói da Resistência, falando sobre este grande poeta cubano. Lia tudo sobre ele que fosse possível. Alguns poemas foram publicados no grande Paratodos que Jorge Amado e Oscar Niemeyer produziram naqueles anos.

Sua coluna me evoca uma das lembranças mais comoventes da minha juventude quando, no edifício da UNE, que freqüentei assiduamente entre os anos de 56 a 58, como Vice Presidente da AMES, tive a ventura de segurar a mão de Iuri Gagárin, na visita que ele fez ao Brasil. O choro tornou-se convulsivo na medida em que aquele aperto de mão representava a ligação com um mundo do socialismo onde as desigualdades, as injustiças sociais, a exploração do homem pelo homem tinham sido banidas e representava uma esperança para o resto do mundo. Mais do que isto: a alegria de saber que aquele “sistema” teve a capacidade de colocar na órbita da terra o primeiro homem. Aquela conquista não era só da URSS mas sim de todas as pessoas que acreditavam numa nova sociedade que estava vindo para acabar com o capitalismo.

Ah. Que beleza sonhar.

Agradeço a você por ter aflorado em mim estas lembranças fazendo-me acreditar que “eu era feliz e sabia que era” porque sonhar é da essência humana. Como já disse John  Lennon “vivemos para sonhar e acordamos para realizar nossos sonhos”.

Abraços do Isnard (Manso Vieira) publicitário e jornalista, Rio.  

Autor

Mario de Almeida

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