Desilusão e indignação são os sentimentos que tomam conta do cidadão brasileiro. Desilusão em relação a políticos e governantes, indignação com a situação a que está jogado o país. A pergunta é: nós merecemos isso?
Estamos vivendo um momento dramático da Nação – aquele em que o próprio Estado é o terrorista. É o momento do desgoverno, quando o governante perde o controle da administração, a economia envereda por caminhos tortuosos e as leis, feitas para disciplinar e orientar a convivência social, são ignoradas ou descumpridas sem que o Estado tenha condições materiais ou morais para exigir-lhes o cumprimento.
Lamentável, mas esta é a situação que está sendo vivida pelo país. O governo da República carece de respeito e autoridade e uma crise econômica se agiganta ameaçando a estabilidade política e social.
Um índice de inflação quase inigualado, como este que entra na casa dos dois dígitos, torna o quadro insustentável para empresas e trabalhadores, aos quais é impossível encontrar fórmulas mágicas para sobreviver com tranquilidade neste quadro desalentador.
O governo, desgovernado, tem se mostrado incapaz de dar um rumo seguro à economia. Há recentes dois anos, foi incompetente para aplicar leis antigas e elementares que disciplinam a proteção ao consumidor. Agora, dobra a incapacidade ao se mostrar incompetente para aprender a lição de erros passados.
Pior, a própria sociedade mostra não ter aprendido. Empresários e sindicatos de trabalhadores ameaçam sentar-se frente a frente para procurar um acordo, mas colocam tantas exigências, de parte a parte, que qualquer entendimento fica inviável. Cada negociação vira batalha. E como a autoridade pública nem respeito tem feito por merecer, resta o quê? Desilusão e indignação, que não se esgotam em si.
[Escrevi este artigo nos anos oitenta, quando era colunista do Correio do Povo. Quase trinta anos depois, estaremos retomando aquele rumo errante?]
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De que tem medo Zero Hora? Faltou pouco para o principal impresso do Rio Grande do Sul ignorar as agressões sofridas por jornalistas durante a visita do presidente Jair Bolsonaro à Itália. O episódio em que um repórter perguntou por que o presidente evitara participar de agendas do G20 terminou de forma lamentável, como se viu em vários veículos nacionais e internacionais, com pancadaria, socos em repórteres, celulares arrancados das mãos de profissionais, entre outras vilanias. Como se a própria Zero Hora não fosse produzida graças ao trabalho incansável de profissionais da comunicação, o jornal escondeu o fato em uma das matérias sobre a visita presidencial informando secamente que num dos passeios de Bolsonaro pelo centro de Roma “jornalistas relataram agressões por parte da equipe de seguranças do chefe do Executivo”.
Teria sido este episódio assim tão irrelevante, a ponto de merecer duas dezenas de palavras?? Respostas aqui mesmo neste portal, em Imprensa e entidades repudiam agressão de seguranças de Bolsonaro a jornalistas.


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