– Alemão, vou te matar!
Assassino e vítima potenciais eram Sérgio Porto e Fausto Wolff.
Quando o “alemão” em 1958, então com 18 anos, veio para o Rio e ingressou na imprensa local, Sérgio Porto já era famoso como o Stanislaw Ponte Preta e, entre outras criações, inventara as “Certinhas do Lalau”, jovens e lindas mulheres – na maioria, vedetes do teatro rebolado – que enfeitavam a sua coluna no Diário Carioca e, depois, na Última Hora.
Numa mudança do Sérgio de um jornal para o outro, foi preciso recriar o arquivo das “Certinhas” que ficara no emprego anterior. Destacaram o jovem repórter para acompanhar o fotógrafo no resgate e ampliação daquele acervo.
Sérgio Porto interessou-se (extraprofissionalmente) por uma vedete e tinha, para esse assunto, um “batedor” que fazia o primeiro contato. Dada a tarefa ao “batedor”, este voltou com a resposta:
– Ela disse que, com você, nunca mais, que você bebe feito um porco e ainda é broxa!
A história acaba sem outras penalidades, pois o Sérgio, grande figura humana, sabedor por conta própria que a carne é fraca, concluiu que o Fausto já tinha sido mais que penalizado…
Esse fato e o que se segue, o Fausto me contou no Antonio”s, ao me entregar o artigo que ele escreveu e publiquei no livro sobre aquele espaço que foi uma das faces da “inteligência” carioca por mais de duas décadas.
Estando
Face à insistência dela, deixou-se carregar para a Bloomingdale”s, uma das grandes lojas de departamentos daquela cidade. Ele estava com razão, nada para o seu tamanho e, como provocação, em inglês, disse para a namorada que eles só trabalhavam para “baixinhos”. A vendedora, curiosa, perguntou de onde ele era e o Fausto disse.
À saída, por coincidência, encontrou César Thedim, amigo do Antonio”s e também muito alto. Fausto conta a brincadeira e pede que o César fosse à seção, fingisse querer uma calça e depois dissesse para a sua companheira, também em inglês, que aquela era uma loja para “baixinhos”.
A missa foi rezada, a vendedora fez a mesma pergunta, César deu a mesma resposta e a gente tem certeza que ela imaginou o Brasil como uma imensa equipe de basquete.
Outro papo, ainda no “Antonio”s.
– Mario, conheço suas posições, o seu trabalho na Globo e na Fundação Roberto Marinho, motivos que me deixam à vontade para perguntar: o que você acha dos excelentes serviços que o Roberto Marinho prestou à ditadura?
– Acho muito menores aos que os ditadores prestaram ao RM, o único deles que passará à História.
Fausto, que nunca foi burro e percebeu de cara que eu não me referia ao cidadão, mas ao empresário, concluiu:
– Esse já é História, quanto aos ditadores…
Inté.

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