Eis que no domingo, após uma rápida caminhada pelo Brique da Redenção, e enquanto saboreava um almoço simples preparado às pressas, resolvi zapear pelos canais de televisão aberta em busca de notícias sobre a Covid-19. Minha intenção nem era saber das aglomerações que sempre ocorrem nos finais de semana nas principais capitais, incluindo Porto Alegre, onde parece que nunca tivemos pandemia de Coronavírus. Nem saber em que locais haviam faltado vacinas. Na realidade, a ideia era passar o tempo enquanto me alimentava.
Mas um infectologista do Hospital Emílio Ribas, de São Paulo, me deixou com as orelhas em pé (ainda se usa esse termo?). Ao ser entrevistado na Globo News, o médico alertou que a falta de responsabilidade de muitas pessoas, principalmente nas tais aglomerações, com a ausência dos cuidados sanitários necessários, mesmo que já tenham tomado as duas doses da vacina, pode fazer com que todo o alfabeto grego seja utilizado para denominar as variantes do Coronavírus.
Por uma orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS), as novas cepas – uma variante é chamada assim quando mostra propriedades distintas em relação ao vírus original – devem ser identificadas pelos nomes das letras do alfabeto grego. Atualmente, segundo informou o site saúde.abril.com, uma das variantes que mais preocupa é a Delta, detectada pela primeira vez na Índia, mas já disseminada em outros países, incluindo o Brasil.
E alguns estudos indicam que a Delta possui grande potencial de contaminação mesmo entre os vacinados. Especialistas insistem que nenhuma vacina é 100% eficaz e se o vírus circular com intensidade entre os vacinados, sem nenhum controle efetivo desta disseminação, o número de mortes tende a seguir elevado. Aqui em Porto Alegre, no Grupo Hospitalar Conceição, 19 mortes pela variante Delta já foram registradas.
Nestes meus 528 dias de confinamento, completados nesta quarta-feira, 25 de agosto, com pequenas escapadas para agendas obrigatórias de saúde, caminhadas pelo bairro sem compromisso e café em locais abertos, mantenho todos os cuidados. Até chego a exagerar. Álcool em gel, distanciamento sempre, locais super abertos, sem nenhum tipo de aglomeração e uso de máscara (trocada de duas em duas horas).
Mas confesso que bateu um medo incontrolável de tudo isso. Do que ainda podemos viver. Se é que vamos viver! Apesar das pessoas, como eu, que mantém os cuidados. Uma sensação inadiável de que preciso urgente renovar as minhas doses de responsabilidade e empatia. Um compromisso maior ainda de que até mesmo as caminhadas e os encontros nos cafés abertos serão reduzidos.
Não quero assustar ninguém. Mas talvez lembrá-los de que o alfabeto grego tem 24 letras (7 vogais e 17 consoantes)? E que a Delta é recém a quarta? Horripilante. Preocupante. De tirar o sono. Cuidem-se. Cada vez mais. Pela saúde de vocês e do próximo.


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