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E se a Copa não vier?

Guerra de declarações. Jogo de puxa-estica. Tudo por conta da realização da Copa 2014 no Brasil. Vejo a Fifa exercendo pressão sobre os governos …

Guerra de declarações. Jogo de puxa-estica. Tudo por conta da realização da Copa 2014 no Brasil. Vejo a Fifa exercendo pressão sobre os governos federal, estaduais e municipais. Vejo os políticos batendo e assoprando. E então, fiquei pensando: e se a Copa 2014 não vier para o Brasil? O que vai acontecer?

Está certo que esta notícia viria no ano do apocalipse, 2012. Seria certamente rodeada de trombetas e cavaleiros do Apocalipse. Mas qual seria o efetivo prejuízo? Do ponto de vista de imagem do país, ficaríamos com a mácula de termos trabalhado por anos no projeto e então jogado a toalha no último minuto. De termos deixado o mundo da bola pendurado no pincel. Mas, aqui para nós, certamente surgiria um país com rapidez e agilidade para absorver esta demanda e realizar a copa por lá. E esta mácula acabaria por se diluir com o passar dos anos, se o Brasil crescer economicamente no cenário mundial. Seria um abalo, um problema, mas acabaria passando. O mundo hoje é dinâmico (demais, do meu ponto de vista) e as pessoas em geral acabam esquecendo rapidamente os fatos. Esquecem rapidamente fatos de pouca, mas também de muita importância também.

Já do ponto de vista financeiro, sinceramente, tenho dúvidas. Porque não há dúvidas que os milhares de turistas que viriam ao país para a realização de um evento deste tamanho (dois, considerando a Copa das Confederações) gastariam em hospedagem, alimentação, lazer, compras, etc. Mas penso também que há um outro lado. Há em muitas obras da Copa (e não falo somente dos estádios que estão sendo construídos) superfaturamento ou, no mínimo, despreocupação com a exatidão no valor fornecido em orçamento, de forma que ele vai sendo aumentado gradativamente (há raras exceções). Como há dinheiro público grosso envolvido (seja na forma de isenções de impostos, seja na forma de bancos públicos estarem oferecendo financiamentos para as obras, seja nos contratos de obras públicas de mobilidade e infraestrutura) é preciso atenção..

Falando nos clubes, estes terão como um ganho marginal a visibilidade do maior evento do futebol no Brasil. Como eu disse, é um ganho marginal. O futebol brasileiro em si já tem grande visibilidade e é o maior campeão mundial da categoria.

O grande ganho da realização da Copa do Mundo 2014 no Brasil está sendo o agendamento. A partir de um determinado momento, todos os prazos convergiram para 2014. Inúmeras obras públicas de saneamento, duplicação de avenidas, ampliação/construção de aeroportos, ampliação de estrutura de tecnologia, tudo está datado de 2014. Há um gigantesco carimbo nos projetos: “Entrega: 2014”. E, desta forma, são incontáveis as obras públicas que estão sendo tocadas, todas de uma vez, com um único destino: 2014. (E está curioso, pois mesmo negociações de aumentos de categorias funcionais que eventualmente não têm a ver com a Copa 2014 estão sendo acertadas para 2014.) O Brasil virou 2014. E, desta forma, há um grande volume de obras acontecendo no país que, não fosse a Copa, provavelmente não aconteceriam. Ou talvez não acontecessem todas juntas em um único momento. Do meu ponto de vista, este acabaria por ser o grande prejuízo caso a Copa fosse suspensa no Brasil. Copa 2014: canteiro de obras.

Autor

Flavio Paiva

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