Quem pensa que jornalista é sempre aquela figura de mal com a vida, reclamando da pauta ou do plantão do final de semana, só disposto a puxar conversas sobre os últimos escândalos da política e que fatalmente termina as noites rodando de bar em bar a destilar suor de fumo e café, está totalmente equivocado. E aquele outro estereótipo espalhado nas redações e assessorias de que a mulher jornalista não se arruma, não se enfeita e enfrenta a entrevista com o poderoso executivo ou um happy hour com os amigos com o mesmo modelito displicente, definitivamente é coisa do passado. Parem as máquinas. Troquem a manchete principal. O jornalista quer fazer festa como outra categoria qualquer, bailar, falar de amenidades, produzir-se para um compromisso. Quer ser feliz.
Foi o que se viu no sábado à noite. No salão do Clube do Comércio, encravado no centro de Porto Alegre e no passado um tradicional local de bailes da sociedade de Porto Alegre. Nas roupas impecavelmente separadas para a ocasião. Nas chapinhas nos cabelos que desafiavam a rebeldia da noite chuvosa. No burburinho saudável produzido toda vez que um colega encontrava outro que não via havia muito tempo. Nos rostos enrugados ou não de repórteres, editores, assessores e outros que esboçavam alegria com o reencontro. Na felicidade transparente daqueles que foram escolhidos para receber homenagens. Nos pés dos que ficaram bailando até o último acorde da banda (gostaram do termo?).
Na comemoração dos 70 anos do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado (Sindijor/RS), o cenário era de festa. E tudo foi festa naquela noite estranha de um final de setembro. O preço muito acessível do convite, a promessa de homenagens, a possibilidade de sorteios, a chance de remexer o esqueleto (essa é do outro século, eu sei) devem ter sido alguns dos ingredientes que estimularam a presença surpreendente de tantos e tantos na noite no Clube do Comércio. E antes de iniciar o rodopio de corpos no salão imponente do local, um lindo parabéns com direito a brinde pelo aniversário foi puxado pela diretoria do Sindicato.
Afinal, não é todo dia que um sindicato pode brindar com associados os seus 70 anos. Nem toda a noite que um sindicato consegue reunir boa parte de sua diretoria para falar sobre algo além de cláusulas de acordo coletivo ou estratégias para acompanhar a votação da PEC do diploma, em Brasília. Nem todo o evento que abriga jornalistas de todas as idades para ouvir desde New York, New York até as músicas chicletes do Michel Telo (é a minha opinião). E nem todo compromisso que todos saem com gostinho de quero mais.
Aplausos para todos que deram brilho ao evento. Aplausos aos amigos e amigas que não via há muito tempo e me emocionaram com tanto carinho. Aplausos aos homenageados e homenageadas (mesmo que eu não tenho concordado com alguns – e de novo é a minha opinião). Aplausos aos queridos Vieira, Rafael Guimaraens, Castelinho, Santiago, Leonan, Jurema e Enir. Gente linda, elegante e competente. Aplausos a minha amiga Carla Seabra que é parceira não só para os jogos do Imortal Tricolor e ficou até o final do baile-janta. E aplausos a diretoria do Sindijor, que em meio às preocupações do dia a dia, encontrou tempo para organizar uma festa tão bonita.

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