
“Não existe maior sofisticação
do que a simplicidade”.
Leonardo da Vinci.
Passados 500 anos, um enigma do Renascimento italiano ainda desafia os mais dedicados estudiosos e historiadores da arte. E não se trata de um mistério qualquer, já que envolve nada menos que dois gigantes de seu tempo, Leonardo da Vinci e Giorgio Vassari. Os turistas que visitam o Palazzo Vecchio em Florença, nem de longe suspeitam das misteriosas tramas que existem diante de seus apressados olhares.
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Foi por volta de 1490, pouco antes de morrer, que Lorenzo, o Magnífico, regente da República de Florença, encomendou a Leonardo da Vinci o que deveria ser sua obra mais importante. Ele queria ver um imenso mural decorando a Sala del Gran Consiglio. Com um tema desafiador – a batalha de Anghiari, o confronto que foi decisivo para a supremacia dos Médicis, com a vitória das tropas florentinas diante do poderoso exército do Duque de Milão.
Leonardo começou a trabalhar esboçando em cartões as figuras da grande batalha. Desenhando formas retorcidas de guerreiros em luta, em meio a poeira, terra, fumaça, terror e agonia dos feridos. Infelizmente, ao pintar o afresco, a umidade da parede desvanecia as figuras à medida em que eram pintadas.
Com a morte de Leonardo em 1519, o mural ficou inacabado. Mas, anos mais tarde, quando o Palazzo Vecchio passa por uma restauração, um novo mural é encomendado a Giorgio Vassari, mais conhecido como o primeiro historiador de arte, ao registrar a obra dos grandes do Renascimento. Ele conclui o mural em 1563, onde retratou outro importante episódio, a batalha de Scannagallo, quando Florença derrota a República de Siena.
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Centenas de anos depois, a Sala del Gran Consiglio ainda guarda um quebra-cabeças histórico, apesar das alegações que dizem que a Batalha de Anghiari de Leonardo da Vinci nunca existiu. Até que, em 2021, pesquisadores que trabalhavam no Convento de Santa Maria Novella, vizinho ao Palazzo Vecchio, se depararam com os cartões esboçados por Leonardo, além de documentos que atestam que o afresco foi integralmente pago por Lourenço de Médici. Tentando solucionar o impasse, introduziram leitores digitais no mural de Giorgio Vassari, o que revelou vestígios de pigmento que era usado exclusivamente por Leonardo da Vinci.
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Do episódio emerge a questão, proposta por Dan Bown, autor de livros sobre personagens e estórias florentinas: a frase ‘Cerca Trova’ (‘Busque e Encontrarás’), no mural de Giorgio Vassari seria uma cápsula de tempo usada pelo pintor para avisar as futuras gerações que existe um Leonardo da Vinci oculto no Pallazzo Vecchio?
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