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Em contagem regressiva

Muitos pensam que eu sou uma pessoa completamente fora da casinha. Que perdi totalmente o juízo. Ou sou aquela famosa doida varrida. E alguns até me encaram com um certo medo. E evitam chegar muito perto. De imediato, eu lhes asseguro: sou um ser humano normal. Quase. Porque de perto ninguém é normal. Mas sim, estou em contagem regressiva para o início da propaganda eleitoral, que irá ocorrer em 16 de agosto, nas ruas, na mídia e na internet. Eu vivo intensamente este período e simplesmente adoro admirar a cidade vestida com as cores da democracia.

Então, como diz a música “Mal Nenhum”, composta por Lobão e Cazuza, e eternizada por este último no disco Exagerado (1985), “não me escondam suas crianças, não chamem o síndico, nem chamem a polícia, eu não posso causar mal nenhum”. Apenas sou uma cidadã que assiste a propaganda eleitoral no rádio e na televisão, procura acompanhar os debates, passeia pelas esquinas de Porto Alegre observando o material distribuído e observa as bandeiras partidárias tremulando nas janelas das residências e nos carros.

Quando as eleições se aproximam, gosto de caminhar pelas ruas da cidade tapadas de perfurites, bandeiras, adesivos e todo o tipo de material da campanha política. Ao passear pelas esquinas movimentadas, me encanto com o debate das bandeiras de diferentes partidos políticos. Ufa, a democracia resiste. E quando a capital gaúcha se mostra assim, fermentada pela campanha eleitoral, tenho a certeza de que a voz da democracia ainda é maior do que qualquer silêncio.

Não é por ser uma militante orgânica de um partido que aprecio este período eleitoral. Lembro muito bem que esse envolvimento vem desde a infância. Por volta dos meus 12 anos (e isso faz muito tempo), meu pai ficava admirado por eu saber cantar todos os jingles que os partidos lançavam na época das eleições. E de lá para cá, essa paixão só cresceu. Sempre acompanho os debates, vejo a propaganda eleitoral obrigatória (será que só eu assisto?), conheço o currículo dos candidatos e candidatas e interajo, quando possível, com intervenções nos debates.

Por isso, o dia 16 de agosto é esperado por mim com muita ansiedade. Quero ver a cidade pintada de democracia. Quero caminhar pelas ruas e apreciar o trabalho dos militantes disputando, de forma sadia, o voto a voto. Quero estar em toda atividade de campanha que o meu tempo permitir.

Autor

Márcia Martins

Márcia Fernanda Peçanha Martins é jornalista, formada pela Escola de Comunicação, Artes e Design (Famecos) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), militante de movimentos sociais e feminista. Trabalhou no Jornal do Comércio, onde iniciou sua carreira profissional, e teve passagens por Zero Hora, Correio do Povo, na reportagem das editorias de Economia e Geral, e em assessorias de Comunicação Social empresariais e governamentais. Escritora, com poesias publicadas em diversas antologias, ex-diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors) e presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Porto Alegre (COMDIM/POA) na gestão 2019/2021. E-mail para contato: [email protected]
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