Nesta quinta-feira, 25 de novembro, os movimentos feministas e de direitos humanos pretendem ocupar as ruas de Porto Alegre em defesa das vidas das mulheres, as nossas vidas, que sofrem diariamente todos os tipos de violência e, principalmente, a mais fatal de todas que é o feminicídio. As atividades pelo Dia Internacional de Luta Contra a Violência à Mulher, correm o risco de terem menor participação – ou até serem adiadas – se a previsão do tempo continuar indicando chuva. É certo que, com todos os cuidados exigidos pela pandemia da Covid-19, que ainda não acabou, estaremos mobilizadas em defesa das nossas vidas porque não suportamos mais nenhuma mulher a menos.
Em alguma coluna já escrita aqui no site, em anos anteriores, devo ter falado sobre o 25 de novembro, sua simbologia para o movimento feminista e que a data está inserida nos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, que abrange mais de 180 países. A campanha é uma estratégia de mobilização dos movimentos feministas e sociais para um engajamento maior de todos, todas e todes na prevenção e na eliminação da violência contra as mulheres. E tem seu encerramento no dia 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos.
No Brasil, especificamente, alteramos para 21 Dias de Ativismo, uma vez que a campanha se inicia no dia 20 de novembro, Data Nacional da Consciência Negra. A ideia é reforçar a enorme e dupla discriminação sofrida pela mulher negra, pela questão de gênero e raça. Estatísticas apontam que as mulheres negras têm 64% mais risco de serem assassinadas do que as brancas. E que as mortes violentas de negras sobem a cada ano no ranking dos feminicídios (duas em cada três vítimas são negras).
A data de 25 de novembro foi escolhida pela ONU como o Dia Internacional de Combate à Violência Contra as Mulheres em 1999. Para lembrar que no mesmo dia, em 1966, três ativistas políticas, as irmãs Mirabal, conhecidas como Las Mariposas, foram assassinadas a mando do ditador Rafael Trujillo, na República Dominicana. A execução de Minerva, Pátria e Maria Teresa, foi um fato muito importante para mobilizar aquele país e reverter a conjuntura local, influindo na queda do regime.
Mas, apesar de todos os avanços inegáveis em vários países, nós, mulheres continuamos sendo vítimas de violência de todas as espécies (física, sexual, política, econômica, institucional, psicológica ou moral). Por isso, seguimos e seguiremos mobilizadas, unidas, coesas. E protestando contra a violência que nos oprime e, em muitos casos, cala a nossa voz. Nas ruas sempre, por uma vida digna e sem violência para todas as mulheres.


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