Está ocorrendo um perigoso fenômeno nas ruas de Porto Alegre: ciclistas e cadeirantes estão ocupando espaços indevidos. Certamente querem – em especial os ciclistas – reafirmar o seu direito de ocupar as ruas da cidade. Não estariam errados se não fosse o seu método e a realidade. Tem sido extremamente (repito: extremamente) comum deparar com ciclistas dirigindo de forma acintosa e ousada no meio dos carros. Não estou falando de dirigirem junto ao meio fio. Me refiro a dirigirem entre os carros, no meio de duas ou três pistas.
Noutra noite (noite!) eu passava pela frente da Fundação Iberê Camargo, indo em direção ao BarraShoppingSul e quase não vi um ciclista. Era noite, ele estava sem sinalização e costurava entre os carros, como se carro fosse. Ali, próximo à antiga curva do Estaleiro Só. E este é só um exemplo. A todo momento me deparo com ciclistas em atitude imprudente, pondo em risco especialmente a si mesmos.
Entendo que haja uma mensagem por trás da atitude. Eles querem ocupar as ruas, espaço que afinal de contas lhes foi subtraído. Mas estão tentando fazê-lo na marra e pondo a si mesmos em risco.
Sou contrário a atitudes deste tipo. Sou um grande defensor de termos ciclovias adequadas (com meio fio entre a ciclovia e a via dos automóveis), que ofereçam grandes distâncias e pavimentação adequadas para a prática do ciclismo. Termos ciclistas pelas ruas da cidade comunica uma humanização da mesma, preservação do meio ambiente, estímulo à saúde e respeito ao cidadão. Porém, da forma que está sendo feito, fica caracterizada uma atitude de afronta. Sinceramente, não consigo entender este posicionamento, quando os maiores prejudicados acabarão por ser os próprios ciclistas. Mais de uma vez desviei para não colidir com um deles. E se eles estiverem naquele ponto cego que há nos espelhos retrovisores e não forem vistos? Não podemos resolver questões como esta, da ocupação das ruas pelos ciclistas, na marra. Sem falar que há regulamentação do Código Brasileiro de Trânsito. Vamos pedalar e muito, mas antes de tudo vamos dialogar, gente.
Situação semelhante é vista com os cadeirantes. Eles ficam próximos de algumas sinaleiras, mas acabam ocupando um bom espaço da faixa de rodagem, pondo-se em risco. E agora eles estão atravessando as avenidas de forma imprudente, arriscando as suas vidas.
São duas situações com as quais ocupo o espaço de hoje para ver se conseguimos chegar a um consenso e evitar uma tragédia, que se avizinha. Não vai demorar e começarão a acontecer acidentes com estes dois usuários de veículos de duas rodas.

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