Estou bem. Mas, estamos?
Sinto que algumas palavras já nascem mortas da minha boca porque já foram repetidas tantas vezes que foram jogadas ao ar… mas não tem solo fértil à volta.
As pessoas seguem suas vidas com seus bolsos cheios de pedras. A primeira tentativa é culpar o ambiente. Depois as pedras. Mas, e se a culpa vem de você?
Exigir uma redenção digna à justiça universal é papo de jovem.
Adulto caminha com os calçados que tem. Os meus são apertados. Os meus são largos. Eu nem tenho calçados. Importa a alguém? Importa para a sociedade?
Vivemos a era do esgotamento. Como vou estender o braço se os meus estão segurando tantas coisas também?
O tempo mata sonhos como o ninar da mãe que um dia o abandona. Todos temos esse sentimento de abandono.
Um buraco em que uma pergunta ou uma frase deveria ocupar?
Deveria?
Quem disse que viver é alcançar tudo? Ou que basta chorar e vão perguntar: tá com fome, bebê?
Somos fortes porque enfrentamos o esforço que você não precisa lidar. Mas, você tem outros esforços. Como medir?
O que te leva pra onde? Vale o sacrifício?
Você queria isso ou te ensinaram que você queria isso?
O que te deixa pleno? Ou é preciso de esforço pra se sentir pleno?
É preciso sofrer pra viver em paz. De desconforto pra ficar melhor?
Ou é só a gente se olhando no espelho e entendendo que a gente não faz parte da mamãe, do papai, de ninguém.
Você está de pé e sozinho.
E mesmo assim precisa caminhar.
Com amor, Luan


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