Hoje me direciono para os humanos sonhadores. Todos que já foram desacreditados da sua forma de ser. Julgados por parecer. Apontados apenas por sentir.
Esse texto é para os que falam de sentimentos e que não conseguem esconder. Para vocês, sutis como um elefante dançando balé, como um punho atravessando agulha, como reviravolta de novela das 21h.
Esse texto é para vocês, humanos, que já foram chamados de intensos, que quando olham nos olhos procuram o outro e não seu próprio reflexo. Esse é para vocês que erram e vivem com a curiosidade de um gatinho saído do ninho, de um cachorro desbravando um lar, de um passarinho recém solto da gaiola.
Esse texto é para vocês lerem quando disserem que vocês não podem ser assim. Que verbalizar demais é dar muito poder ao outro. Que é tudo culpa do que sentimos e que o melhor é calar, fingir, deixar para lá.
Para vocês que criam. Que transformam sentimentos em gestos, em textos, em imagens, em abraços e em falas. Que entregam energia e se doam porque acreditam que o sentido está em chegar ao outro.
Esse é para vocês e para aqueles também que gritaram que vocês eram demais. Por tentar. Por dar. Por acreditar. Por ouvir. Por entender. Por agradar. Por acarinhar.
Para vocês que no final do dia conquistam zilhões de erros, lágrimas, medos e dores. Mas nunca o arrependimento de não ter sido quem vocês são por completo. Porque enquanto os outros constroem torres com seus egos, vocês acreditam que sentimentos são valiosos demais para estarem acorrentados.
Esse é para vocês.
Para nunca esquecer de continuar entregando o melhor. O melhor imperfeito. Porque entrega puxa entrega. Empatia puxa empatia. Sentimentos puxam sentimentos.
E é para aqueles também que disseram a vocês que vocês entregavam demais. Como se sentimento fosse contrato. Como se coração fosse atestado. Para eles lembrarem que a maior tristeza é se acostumar em não falar, em não ser, em não viver. Porque quando tudo passar, todos olharemos para trás. Melhores pelo o que aprendemos ou piores pelo o que não vivemos.
Esse é para vocês:
os bobos dos sentimentos.
Imperfeitos e ingênuos
que insistentemente vivem olhando para mim.
Com amor, Vida.


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