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Estruturas invisíveis

Mesmo um observador atento não percebe as estruturas do que está exposto à sua frente. E não sabe disso. Somente pode expor-se ao que …

Mesmo um observador atento não percebe as estruturas do que está exposto à sua frente. E não sabe disso. Somente pode expor-se ao que vê. Uma exposição de arte sempre estará rigorosamente construída em alas, seções, por fases, datamentos, e, às vezes, técnicas, estilos e até humores.

Fu Lana estava acompanhada quando foi ver Miró, no Santander Cultural, na noite de abertura. Estava ansiosa pelas figuras divertidas e desengonçadas do artista espanhol, que ora se unem, ora se espalham em um movimento familiar, fazendo jogos de pique-esconde.

Sorriu quando ouviu alguns gajos dizerem: não sei se gosto. Gente que confessa: eu não entendo. Outros estavam honestamente interessados em perceber ao máximo o que acontecia frente aos desenhos, gravuras e pinturas. Qual a sensação? Devo raciocinar? O caminho de apreciação das obras é aquele escolhido por cada pessoa, por mais que os curadores tentem dirigi-los para este ou aquele corte. Os apreciadores de arte são tal qual fiéis que se prostram em frente a santos em igrejas, esperando que apenas aqueles segundos os ilumine e provoque uma mudança, uma nuance. E foi deste jeito que Fu Lana apreciou Miró: esperando algum toque a mais na sua sensibilidade.

No entanto, definitivamente, não é em uma abertura festiva que se poderá fruir ou expor-se à contemplação. Fu Lana deverá voltar à radiação de Miró antes que se encerre o evento, em dois meses e meio.

Também no Santander, naquela noite, havia uma exposição sobre design. A subida parecia interminável, pois o evento estava no Átrio, no topo do prédio. Na entrada, um vermelho útero em um túnel de nascimento. Nas paredes, alguns pôsteres representativos da arte gráfica de 20 anos. Poucos, é verdade, para 20 anos. Também algumas poucas páginas de revistas expostas, e fotos de produtos industriais selecionados, como as cadeiras dos Irmãos Campana. Deu água na boca e gosto de quero mais. Porém, acabou na primeira curva. Ela preferia mil vezes estancar ali, e não permitir que aquela parte da exposição terminasse. Na continuação, chegava-se aos cases da Gad Design, importante escritório nacional do setor. A empresa ocupou 80% do espaço para comemorar seus 20 anos, e aproveitou para dar a ela um caráter didático. Explicar o que é design, um pouco daquilo que acontece para que você possa ter mais conforto, utilidade, funcionalidade, beleza e qualidade. Os ambientes multimídia lembravam um lounge de casa noturna, onde a multimídia apresentava as imagens sobre os bastidores da criação. Os cases dos principais clientes explicadinhos, um por um. Didatismo total. O que forma público, cliente e melhora o entendimento sobre a disciplina. Tudo pelo business.

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Autor

Clo Barcellos

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