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Estupra, mas não mata

Desde que Paulo Maluf cunhou a célebre frase “estupra, mas não mata”, incontáveis admiradores lhe têm seguido os passos. A posição cínica de atribuir …

Desde que Paulo Maluf cunhou a célebre frase “estupra, mas não mata”, incontáveis admiradores lhe têm seguido os passos. A posição cínica de atribuir a culpa pelo estupro à vitima – não tinha nada de andar por aí com saias tão curtas, ou, na versão atualizada, com calças tão rebaixadas e calcinhas à mostra – estende-se a áreas improváveis. Um bando de sem-terras (tanto faz de que sigla) – e se não o eram, como não foram identificados e expulsos? Poupem-me – queimaram um carro da RBS e a culpa é da RBS. Claro, quem mandou andar por aí de calças coladas com o cofrinho aparecendo? A equipe da RBS foi estuprada, mas não foi morta, ora bolas.

tQue sindicatos são ótimas trincheiras para profissionais ressentidos, há muito se sabe. Mas a situação chegou a um ponto surreal. Infelizmente, desde longa data, talvez desde homens competentes e dignos como João Aveline, João Souza (não adianta listar, sempre esquecerei alguém), quem sabe um pouco depois, o Sindicato dos Jornalistas do Baixo Mampituba não acerta o foco. Tem sido prioritariamente um fiel aliado do PT, da CUT, do MST e congêneres.

tCulpar a RBS pelo cofrinho exposto é apenas uma síntese de anos de lutas desfocadas. Trata-se de uma das poucas entidades a ainda dividir o mundo em esquerda e direita. Conceito esquisito esse, que expulsa Heloísa Helena e incensa José Sarney. Conceito sinistro que leva uma entidade de suposto apoio ao profissional de imprensa a querer a morte do maior empregador de mídia do Estado. Maior e que melhor paga, apesar dos pesares.

tMesmo o generoso cabide federal, liderado pelo redivivo Zé Dirceu, revela-se incapaz de abrigar a companheirada toda. Os que ficaram fora da farra dos cargos exercem o jus esperniandis – “Quem sabe alguém lá em cima lembra de mim?” Estão na trincheira, rindo da vítima de estupro como um escrivão de delegacia de subúrbio. A luta continua, companheiro. E ninguém mandou mostrar o cofrinho.

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* Eliziário Goulart Rocha é jornalista e escritor, autor dos romances Silêncio no Bordel de Tia Chininha, Dona Deusa e seus Arredores Escandalosos e da ficção juvenil Eliakan e a Desordem dos Sete Mundos.

Autor

Eliziario Goulart Rocha

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